terça-feira, 10 de maio de 2016

Metrô do Recife para nesta terça de novo: um sistema sem dinheiro, ao sabor do vento e da política

Roberta Soares
JC Online

Paralisar um sistema de transporte como o metrô do Recife por falta de segurança não só para passageiros, mas principalmente para os operadores, é justo. Ainda mais em dia de selvageria – nova definição para o que virou a utilização do transporte coletivo quando há jogo de futebol na Região Metropolitana do Recife. Mas suspender a operação do sistema que transporta 400 mil pessoas num dia de semana, é questionável. Ainda mais se o movimento tiver motivação política, como é o caso da paralisação prevista para esta terça-feira (10/5), estimulada pelos metroviários como um protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rouseff.

"Nós conhecemos muito bem o programa de Michel Temer e sabemos que caminha para o sucateamento do metrô e a privatização do sistema não só em Pernambuco, mas em todo o País onde a CBTU ainda opera. E não queremos isso”,
Diogo Morais, do Sindmetro

Por tanto, quem está entre os 400 mil passageiros que dependem do metrô para ir e vir refaça a rota e dê preferência ao ônibus. O Metrorec garante que o sistema vai operar, mas apenas no pico (5h30 às 9h e 17h às 20h). No chamado horário de vale (fora do pico da manhã e da tarde), estará fechado. O Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) também promete reforçar a rede, principalmente das linhas que saem dos terminais integrados com o metrô, mas o transtorno sempre é certo.

Além de submeter, pelo bem ou pelo mal, os passageiros ao entendimento político dos metroviários – uma das categorias trabalhistas mais politizadas do País, vale ressaltar -, a paralisação vai acontecer num dia de semana, diferente do ato por segurança, realizada num dia de domingo e, em outras ocasiões, apenas nos horários próximos aos jogos de futebol em questão. Aos domingos, a demanda do metrô do Recife cai de 400 mil pessoas para 100 mil.

Os metroviários, entretanto, têm suas razões. Por sorte, o Sindmetro não defendeu a decisão da categoria alegando estar atendendo a um chamado nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e blá, blá, blá. Foi além. Há, sim, um posicionamento contrário à derrubada do atual do governo federal. Mas não porque ele seja bom. Mas porque o medo da gestão que poderá vir é ainda maior. E tudo – ainda bem – sob a ótica do prejuízo ao metrô como sistema.

“Nós conhecemos muito bem o programa de Michel Temer e sabemos que caminha para o sucateamento do metrô e a privatização do sistema não só em Pernambuco, mas em todo o País onde a CBTU ainda opera. E não queremos isso. O sistema não está conseguindo sobreviver, não há subsídio e, com a mudança do governo, a privatização é certa. Hoje, a taxa de cobertura do metrô (o que a receita consegue cobrir de despesa) é de 17%. Já foi de 30%, o que ainda é pouco. E o governo só tem duas opções: ou deixa o metrô do jeito que está, para morrer sem conseguir operar, ou subsidia, o que ele não vai fazer porque não tem dinheiro”, alerta o presidente do Sindmetro, Diogo Morais.

O sindicalista lembra que a decisão de paralisar a operação foi tomada pela categoria, votada durante assembleia. Tanto no caso do movimento por falta de segurança como de apoio ao impeachment. “No caso de domingo, o sindicato chegou a propor que a paralisação acontecesse apenas se a polícia não reforçasse a segurança para o jogo. Mas os metroviários estão tão cansados e assustados, que votaram por parar de vez”, conta.

Enquanto isso a vida segue

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