domingo, 9 de outubro de 2016

EAS conquista nova encomenda

Mariama Coreia
Folha-PE

A conquista de um no­vo contrato para a construção de cinco navios petroleiros pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Suape, promete dar fôlego extra ao combalido empreendimento. O pacote de encomendas garante a continuidade da produção após 2019, quando os pedidos da Transpetro - subsidiária da Petrobras - se encerram. A empresa não se manifestou sobre o tema, contudo, o mercado prevê que a construção dos navios Suezmax para a South American Tankers Company (Staco), no valor de US$ 1,67 bilhão (R$ 5,4 bilhões), vai garantir as atividades da planta até, pelo menos, 2022. 

A notícia desenha um horizonte mais perene para o desenvolvimento da indústria naval do Estado, que andava ameaçada pelos duros golpes sofridos com a crise de Petrobras.
Desde a sua criação, o EAS mantinha uma carteira de negócios baseada na Petrobras. A encomenda inicial era formada por 22 navios para a Transpetro, dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), dos quais sete foram cancelados e oito já foram entregues. Além deles, a empresa sofreu outra grande perda após o cancelamento de sete sondas de perfuração da Sete Brasil, que também mantinha contratos de fretamento com a petrolífera.
Essa dependência da estatal foi extremamente prejudicial ao EAS, acredita o coordenador do curso de Engenharia Naval da UFPE, Silvio Melo. “A suspensão das encomendas foi ocasionada pela crise da petrolífera, que impactou negócios em várias cadeias produtivas diretamente relacionadas às suas áreas de atuação”, contextualizou. 

Portanto, os novos contratos, para além dos domínios da Petrobras, são especialmente simbólicos para a produção naval de Pernambuco, argumentou o secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente de Suape, Thiago Norões. “O estaleiro começa a ganhar vida própria”, pontuou.
Além dessas cinco novas encomendas, o EAS ainda pode conquistar mais outros oito contratos com a Staco, adiantou Norões. “É uma perspectiva de perenidade para a indústria naval”, classificou. O gestor da Pasta adiantou que a Staco - ligada ao armador Eastern Pacific Shipping, de Cingapura - deve utilizar os navios para operações de transporte de petróleo no Brasil. Segundo o jornal Valor Econômico, as embarcações poderão ser afretadas pelo sistema Petrobras, mas a Transpetro respondeu em nota que “não tem nada previsto no momento.

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