sábado, 5 de novembro de 2016

Bastidores: Gestão blinda Temer e passa a culpar partidos de esquerda por ocupações

Governo está preocupado com a repercussão negativa do movimento de ocupação nas escolas e com possíveis episódios de violência

Vera Rosa e Luísa Martins,
O Estado de S.Paulo

O governo decidiu mudar de estratégia e apontar o dedo para a “politização” do movimento de ocupação das escolas, após pesquisas indicarem que as ações da equipe de Michel Temer provocavam incertezas e, muitas vezes, pareciam demonstrar falta de comando. Depois disso, o ministro da Educação, Mendonça Filho, começou a acusar setores ligados a PT, PCdoB e PSOL de estarem por trás das ocupações. Temer, porém, ficou longe do desgaste.

A ordem no Palácio do Planalto é deixar o ministro dar todas as explicações e fazer o enfrentamento necessário. Auxiliares de Temer reiteram que ele não queria enviar a proposta de reforma do ensino médio ao Congresso - principal foco das ocupações - por medida provisória. Preferia projeto de lei, para que as mudanças sugeridas fossem objeto de maior discussão, mas foi convencido por Mendonça e por técnicos. 

Embora a maioria dos candidatos deverá prestar normalmente o Enem, o governo está preocupado com a repercussão negativa do movimento de ocupação nas escolas e com possíveis episódios de violência. Na avaliação de interlocutores do presidente, o governo vive um dilema: não quer passar a imagem de recuo, principalmente diante da classe média, mas também não pode deixar o discurso dos invasores ganhar força.

No Planalto, ministros não têm dúvida de que a ocupação das escolas foi planejada para desestabilizar a gestão Temer. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente comentam que Mendonça demorou para reagir e indicar a “politização” do movimento. Ao longo desta semana, isso se alterou. Na terça, a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Maria Inês Fini, chegou a afirmar que “adoraria” poder atribuir o custo extra de uma nova aplicação do Enem aos “reais responsáveis” pelas ocupações que, na visão dela, “não são os jovens”.

Nesta sexta, Mendonça reforçou esse discurso ao dizer que PT e PCdoB “atuam de forma escancarada” nas escolas ocupadas. Ele sugeriu, ainda, que os jovens que ocupam os colégios estão sendo manipulados por entidades estudantis e sindicatos. E desta vez foi categórico ao afirmar que não haverá recuo quanto à MP. “Não será retirada.”

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