domingo, 13 de novembro de 2016

Elias vê reconciliação como improvável - Renata Bezerra de Melo

Na contagem regressiva para encerrar seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes se prepara para assumir, em abril de 2017, o comando do PSDB no Estado. Quando seu partido e o DEM foram convidados a deixar o Governo Paulo Câmara, uma vez que ambos lançaram candidaturas à Prefeitura do Recife, ele não se furtou a assumir posição crítica em relação ao gestor socialista. Na época, em entrevista a esta colunista, registrou que o chefe do executivo estadual estava demolindo pontes e construindo muros. Sua visão não mudou, ainda que, após isso, tenha lançado um candidato do PSB a sua sucessão. Carrega, hoje, entendimento alinhado ao do ministro das Cidades, Bruno Araújo, que, à coluna, ontem, descartara a chance de recomposição com a gestão estadual. A “demissão” dos tucanos foi um fator que “dificultou” a relação, na avaliação de Elias. “O que Bruno diz, hoje, precisa ser ouvido. Ele é a pessoa com mais representatividade no partido”, grifa. E realça: “Com Bruno ministro e com a vitória de Raquel Lyra em Caruaru, o partido ganha estatura em Pernambuco e exige novas interlocuções. Além dos companheiros que já estão no partido, estes atores são importantes”, acrescenta. E reforça: “Esse negócio (decisão de convidar PSDB a deixar governo) complicou. Se isso vier a ser reaberto, se alguma coisa for formalizada, teria que ter unidade para isso. Teria que ser a visão do conjunto. Hoje, a situação é desfavorável”.

Elias defende que temas de tal importância só podem ser deliberados com o conjunto do partido

Entre cicatrizes
A campanha eleitoral em Jaboatão deixou uma cicatriz na relação de Elias Gomes com o PSB. Hoje, olhando para trás, ele usa a seguinte expressão para definir o episódio: “A candidatura de Heraldo Selva foi desapoiada pelo PSB”. O pleito nem tinha acabado ainda e o gestor tucano já havia feito críticas similares à coluna.

“Não foi contra mim” > Passada a disputa, Elias Gomes recolheu-se. Ao quebrar o silêncio, agora, reitera: “Só para citar, dois deputados e um secretário de Estado, que é André Campos, apoiaram uma candidatura contra a candidatura do PSB. Não foi contra mim”.

Assumo > “Essa candidatura foi do PSB e eu achava que essa aliança ia reforçar um candidato, um projeto de continuidade. O erro central foi meu. Ninguém faz milagre em 60 dias”.

Muita água ainda > O deputado federal Daniel Coelho, que encabeçou a chapa do PSDB na corrida pela Prefeitura do Recife, é ainda mais duro. “O PSB é que diz que participar do governo é compromisso com eleição. Ninguém vai fazer compromisso com eleição agora. Eles disseram antes e disseram depois”.

Moeda > Daniel crava: “O PSDB não vai se submeter a trocar cargos por apoio em 2018. Ainda mais quando o PSB ocupa a imprensa todo dia dizendo que tem candidatura própria à Presidência da República”.

Opostos > O deputado dá mais razões: “O PSB nacional construiu posição de aproximação com a gente, mas o PSB de Pernambuco construiu um distanciamento. A votação da PEC 241 é um exemplo disso. Quando, nacionalmente, o PSDB foi pelo caminho da austeridade, que é a demanda da maioria da população, o PSB de Pernambuco foi pelo caminho da demagogia junto ao PT”

Filtro > Pedro Henrique Reynaldo Alves é o nome que comanda a Comissão Especial de Reforma Política da OAB. Será entrevistado por Mônica Bérgamo e Antonio Lavareda no Ponto a Ponto, hoje, pela BandNewsTV. A entidade apoia a PEC 36/2016. Para ter representação no Congresso, os partidos devem alcançar, já no pleito de 2018, 2% dos votos válidos apurados nacionalmente, espalhados em 14 estados.

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