segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Para especialistas, ocupação é nova forma de fazer política (sem partidos)

Janaína Garcia
UOL

Movimentos de ocupação para protestar contra propostas do governo são ações antigas na forma, mas novas no conteúdo. E a tendência é que, em um cenário de crise política e desconfiança nas instituições, elas não recuarão tão cedo --é o que preveem especialistas em movimentos sociais ouvidos pelo UOL.

No caso das ocupações das escolas, as ações partiram de São Paulo, no ano passado, mas se espalharam neste ano para outras instituições e para outros Estados. Em outubro, o levante maior ocorreu no Paraná, que chegou a ter mais de 800 escolas estaduais ocupadas. O movimento se espalhou a ponto de o MEC (Ministério da Educação) ter que adiar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para mais de 270 mil estudantes.

De acordo com o professor de gestão de políticas públicas Pablo Ortellado, da USP (Universidade de São Paulo), as ocupações no Brasil datam pelo menos das décadas de 1970 e 1980, nas fábricas, com o movimento operário. Agora, explicou, é como se os ocupados buscassem não apenas a interdição desses espaços, mas também um novo significado para eles.

As ocupações recentes têm se fortalecido com uma proposta de conteúdo diferente das ocupações promovidas no século passado pelo movimento operário. Nas escolas, por exemplo, os secundaristas ou os alunos das Etecs não queriam basicamente interditá-las, mas fazê-las funcionar de outra maneira --de modo que essas ocupações se apropriaram do espaço e geraram um conjunto de atividades que faziam com que as escolas cumprissem sua função educativa.

Ortellado apontou propósito semelhante por parte do movimento #OcupaMinc, em que shows de artistas consagrados, como Caetano Veloso e Milton Nascimento, em ocupações ajudaram a mobilizar a opinião pública contra o que a classe chamou de "desmonte da cultura".

Na época, os protestos foram desencadeados, logo após a posse de Michel Temer (PMDB), pela proposta de fundir o Ministério da Cultura com o MEC. Após dias de pressão, o peemedebista recuou.



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