quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Carnaval 2017 de Pernambuco exclui forró eletrônico, brega, sertanejo e swingueira

Show no Marco Zero do Recife
Foto: Arquivo

Camila Estephania
Folha de Pernambuco

Artistas de forró eletrônico, forró estilizado, brega, swingueira, arrocha, funk, sertanejo e pagode estilizado não poderão se inscrever na convocatória do Governo de Pernambuco para o Carnaval de 2017. A determinação faz parte de um pacote de medidas da Secretaria de Cultura, através da Fundarpe, e da Empetur, que, no próximo ano, irão segmentar os recursos do Estado para ritmos específicos na folia. Segundo o texto, 30% do orçamento serão para cultura popular, 40% para representantes da música da tradição carnavalesca, 10% para as orquestras de frevo e 20% para a música popular brasileira.

Dentro das categorias também serão aceitos apenas músicos pernambucanos ou que têm atuação cultural no Estado. “Quando essa restrição não era dita explicitamente, acabava acontecendo uma brecha para se contratar esses gêneros porque, como é uma convocatória, a gente é obrigado a habilitar quem está nas condições. Aí a gente fica numa situação complicada por conta do apelo popular, mas assim já deixamos claro que não será possível. Se as prefeituras quiserem fazer diferente, não tem problema nenhum, mas o Estado vai usar a janela do Carnaval para ajudar quem precisa mais. Não estamos dizendo o que é música popular ou não, mas os ritmos que deixamos de fora já têm outros privilégios durante o ano todo”, justificou o secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelino Granja.

A proposta de priorizar artistas locais e de gêneros que se referem à cultura pernambucana já era uma medida usada pelo Governo do Estado desde 2015, mas ainda não havia sido determinado quanto de investimento cada área receberia. “Essa política já vinha sendo usada em Recife e Olinda, mas em outras cidades não era tão rigorosamente seguida. O grosso da festa é feito pelos municípios; em função disso, a gente resolveu fazer melhor as escolhas. É mais uma estratégia de, em meio à escassez, buscar um resultado melhor para a política pública”, explica Marcelino, ao adiantar que os recursos para o Carnaval deste ano só serão definidos no final de janeiro, no entanto, tudo indica que deverá acontecer algum corte. “Ainda estamos em um cenário difícil, mas o corte não deve ser significativo como nos anos anteriores. Faremos um Carnaval mais bonito e mais pernambucanizado”, prometeu.

Em 2015, o orçamento do Governo de Pernambuco caiu 30% em relação ao ano anterior, enquanto que em 2016 a queda foi de 20%. Ainda assim, o secretário está otimista com a nova política que deve distribuir o investimento de maneira mais generosa, destinando 10% para as orquestras de frevo que, no ano passado haviam recebido apenas 4%, por exemplo. Ainda assim, além desse orçamento, a Empetur continua podendo contratar outras atrações que fogem ao perfil da convocatória através da compra de cotas de patrocínio. “Aí foge da questão da política cultura; ela pode chamar outros nomes em função da política de turismo, que seria com o intuito de trazer gente para conhecer Pernambuco. É o que acontece no Galo da Madrugada, que é uma marca privada, mas é um símbolo do Estado. Eles ganham esse apoio por ordem econômica”, diferencia Marcelino.

Repercussão

A nova medida foi recebida com entusiasmo entre produtores e artistas do Estado, que acreditam que a iniciativa pode representar um avanço para o mercado local. “Esse era um pleito antigo dos produtores, mas a gente não tinha como reivindicar, porque não havia um critério. Eles habilitavam quase todo mundo e principalmente a Empetur era uma grande contratante dessas bandas que eles estão eliminando agora. O fato de colocar isso na convocatória já é um bom indicativo. Só acho que 10% ainda é muito pouco para as orquestras de frevo, porque o gênero é um patrimônio nosso e quem sustenta são os músicos; tem que haver mercado para eles”, observa o produtor Wagner Staden.

O músico Josildo Sá achou que as cotas não eram necessárias, mas aprovou a exclusão de ritmos como o brega, funk e variantes estilizadas. “Acho que a grade deve ser de Pernambuco e pronto, mas essa questão de dividir as cotas dos estilos acho que pode ser segregador. Mas o fato da convocatória restringir alguns gêneros que não têm muito a ver com a nossa cultura dá mais oportunidade para quem faz música segmentada e acho que isso está certo”, disse ele, ao afirmar que também torce para que a medida também agilize o pagamento dos cachês dos contratados.

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