sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Na Alepe, aliado PSD dispara contra gestão Paulo Câmara

Romário Dias e Álvaro Porto pertencem ao PSD. Para líder do governo, críticas não mostram ação partidária

Foto: Rinaldo Marques/Alepe

JC Online

Um dos principais partidos da base do governador Paulo Câmara (PSB), o PSD abriu artilharia contra o governo na Assembleia Legislativa ontem. No plenário, Romário Dias (PSD) defendeu que os colegas deixem de votar projetos como forma de pressionar o Executivo a atender deputados e pagar emendas parlamentares. No mesmo dia, Álvaro Porto (PSD) criticou a gestão da saúde estadual e defendeu que órgãos de controle investiguem o modelo de contratação de Organizações Sociais (OSs).

Dos R$ 70 milhões em emendas parlamentares impositivas, apenas 30% foram liberadas pelo governo ao longo de 2016. “Eu vejo greve de professor, greve de estudante, greve de militar. Por que esse parlamento não decide que nós não vamos mais votar matéria enquanto as coisas do parlamento não forem resolvidas?”, disparou Romário. Ele lembrou que a Alepe pressionou o então governador Jarbas Vasconcelos a desistir de um projeto que permitia ao Executivo emitir Medidas Provisórias. “Imagine se o governo tivesse hoje condições de legislar por MP. Podia fechar isso aqui. Fecha e manda embora”, completou.

O desabafo começou porque o secretário de Administração, Milton Coelho (PSB), não atendeu as ligações de Romário para tratar da paralisação na Junta Comercial. No discurso, o deputado comparou o secretariado estadual a “criadores de suínos” e disse que há gente na equipe de Paulo que está mais preocupado com a própria candidatura em 2018.
GOVERNO "FAZ DE CONTA"

“A pior coisa nos governos é o faz de conta. Não tem nada pior. Faz de conta que eu dou saúde e não dou. Faz de conta que eu dou segurança à população e não dou”, disse Dias. Ele sugeriu ao secretário da Casa Civil, Antônio Figueira (PSB), que leve “cabeças brancas” para a articulação política porque o Estado “está muito mal”.

Já Porto citou palestra do procurador do Tribunal de Contas da União Júlio Marcelo de Oliveira com estudos que mostram que as gestões tocadas por OSs no País custam até quatro vezes mais. Ele também criticou a falta de repasses para cirurgias do SUS feitas pelo Hospital Português. Além dos membros do PSD, outros 11 deputados governistas estavam no plenário. Nenhum saiu em defesa do Executivo.

Por telefone, o líder do governo, Waldemar Borges (PSB), buscou amenizar os ânimos e disse não ver as críticas como uma ação do PSD enquanto partido. “A gente tem que ver com tranquilidade essas críticas e quais procedem. E sei que muitas procedem. Mas temos que ver também o que é fruto de inquietação desses tempos de dificuldade”, avaliou.

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