quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O centenário do mito Arraes

Miguel Arraes
Foto: Daniela Nader/Arquivo Folha

Daniele Monteriro
Folha de Pernambuco

Há cem anos, nascia Miguel Arraes de Alen­car, um dos maiores expoentes da esquerda brasileira e personagem fundamental da política pernambucana. Cearense, mas com carreira consolidada em Pernambuco, foi deputado estadual, federal e governador do Estado por três vezes. Hoje, dia em que faria aniversário, sua história e seu legado estão sendo lembrados em uma série de eventos: a Câmara do Recife sediará uma sessão solene, às 15h, convocada pela vereadora Marília Arraes (PT), sua neta. O mesmo acontece na Assembleia Legislativa (Alepe), às 16h.
Já no Museu do Estado, a vida de Arraes poderá ser revista na exposição “Duas mãos e o sentimento do mundo”, que será aberta às 20h. A mostra, que tem curadoria de Raul Lody e Ticiano Arraes, exibirá, em ordem cronológica, os períodos mais importantes da vida do socialista, por meio de fotos, objetos, recortes de jornais, documentos e vídeos.
Enquanto apreciam fotos e objetos pessoais de Arraes, os visitantes poderão ainda conhecer o trabalho realizado pela “Brigada Portinari”, movimento formado por artistas na campanha majoritária de 1986. 

A Companhia Editora de Pernambuco também lancará, nesta quinta (15), quatro livros que retratam a sua vida e a trajetória política. São eles: “Arraes”, de Tereza Rozowykwiat; “Pernambuco em chamas - A intervenção dos EUA e o golpe de 1964”, de Vandeck Santiago; “As Brigadas muralistas e as campanhas de Arraes - Arte e política na década de 1980”, da historiadora Elizabet Remigio, e, por fim, o livro “Porto do renascimento - A última campanha de Arraes”, de Marco Cirano, repórter da campanha eleitoral de 1998. 

Trajetória Política
Identificado com as lutas populares, Arraes sempre transitou no campo da esquerda brasileira, passando pelo PST, PMDB e, finalmente, PSB. O socialista nasceu em Araripe, no Ceará, mas foi no Estado que construiu to­da a sua trajetória. Em 1948, foi secretário da fazenda do governo de Barbosa Lima Sobrinho. Em 1950, disputou a primeira eleição para deputado estadual, ficando na suplência.

Na sua segunda disputa para ocupar a cadeira da Alepe, obteve êxito, se elegendo em 1958. No ano seguinte, voltou a ser secretário da Fazenda, só que, naquele momento, no governo de Cid Sampaio. No mesmo ano, se candidatou e ganhou a majoritária do Recife, se elegendo prefeito da Cidade. Com bom desempenho no comando da Capital pernambucana, Arraes concorreu à disputa majoritária, em 1962, para comandar o Estado.

Ele venceu o pleito, mas só administrou o Estado de 63 a 64, sendo deposto pela ditadura militar, que o obrigou a se exilar na Argélia. Após 14 anos afastado da vida pública no Brasil, Arraes voltou ao País em 1979, com a Anistia, e se filiou ao PMDB.
No partido, se elegeu deputado federal em 1982. Em 1986, regressou ao comando do Estado, onde ficou até 1990. Já filiado ao PSB, naquele ano, Arraes voltou para a Câmara dos Deputados com a maior votação proporcional do País.

Em 1994, foi eleito pela terceira vez governador do Estado, mas não foi reeleito em 1998. Contudo, o socialista voltou a ser deputado federal nos anos seguintes até morrer, com 88 anos, em 2005, em pleno exercício da função legislativa.

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