segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Para Paulo Câmara e Armando Monteiro, 2018 começou mais cedo

Armando Monteiro e Paulo Câmara travam batalha para ver quem levará a melhor em 2018
Arnaldo Carvalho/JC Imagem

JC Online

Para o governador Paulo Câmara (PSB) e o senador Armando Monteiro (PTB), 2018 chegou mais cedo. Ou melhor, 2014 não acabou. Adversários na disputa pelo governo estadual há dois anos, o socialista e o petebista continuam em batalha e a rivalidade novamente é motivada pela vontade de comandar o Estado. 

O governador tem evitado o confronto direto com Armando. Na maioria das vezes, prefere ignorar as críticas do adversário e escala seus auxiliares para responderem ao senador. Paulo também evita falar se vai disputar a reeleição. Em entrevista à Rádio Jornal na semana passada, ele declarou que o momento não é para tratar de uma nova disputa eleitoral.

“Ser candidato em 2018 e trabalhar isso agora é um desserviço à população pernambucana. O que eles querem de mim é trabalho, esforço, dedicação e isso é que vou fazer”, afirmou.

Armando procura “estadualizar” suas declarações e é mais enfático ao se colocar como opção para governar Pernambuco. Após passar um tempo afastado das questões locais, o que rendeu críticas de aliados, o senador voltou a dar mais atenção à política pernambucana. Desde então, não perde a chance de apontar o que considera as principais falhas da atual gestão estadual. 

Recentemente, Armando criticou a forma como Paulo Câmara conduziu as negociações com a Polícia Militar e afirmou, na tribuna do Senado, que o governador tem um “déficit de articulação política”. O petebista culpou o socialista pelo fato de Pernambuco ficar fora do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) lançado pelo governo Michel Temer (PMDB). Também no Senado, Armando disse que Paulo não se preparou para enfrentar a seca no Estado. 

Nas poucas vezes em que respondeu a Armando, Paulo rotulou as críticas adversárias como “vazias”. Já seus aliados são mais duros nas contestações. Na última semana, o deputado federal Danilo Cabral (PSB) declarou que o petebista só aparece em ano de eleição e o classificou como “retrógrado”. 

O socialista ainda afirmou que Armando foi derrotado politicamente como senador uma vez que a Câmara dos Deputados derrubou este mês as mudanças feitas pelo Senado no projeto de renegociação das dívidas dos estados. O petebista foi o relator das alterações.

A escalação de aliados para bater em Armando inclui os secretários Nilton Mota (Agricultura) e Thiago Norões (Desenvolvimento Econômico). Nilton acusou o senador de tentar tirar proveito eleitoral da seca devido às declarações de que Paulo não agiu para minimizar os efeitos da estiagem. De saída do governo para voltar a advogar, Norões declarou na semana passada, sem citar o senador, que a seca estava sendo tratada de maneira distorcida e com má fé. Ele também ressaltou que Paulo Câmara terá como uma das principais marcas de gestão a transformação do Estado na área de recursos hídricos.
PREFEITOS NA MIRA

Ciente de que é preciso ter força em cidades estratégicas se quiser ser governador, Armando Monteiro apoiou candidatos de seu campo e postulantes da base de Paulo Câmara (PSB) que enfrentaram alguém ligado ao governador.

Lupércio do Nascimento (SD), Raquel Lyra (PSDB) e Anderson Ferreira (PR) são da base de Paulo, mas venceram candidatos apoiados pelo governador em Olinda, Caruaru e Jaboatão, respectivamente, com o apoio de Armando. Da parte do senador, há a esperança que seu gesto seja reconhecido e levado em consideração em 2018.

No entanto, não se vê disposição de Lupércio e Anderson de migrarem para a oposição. Eles garantem que continuam ao lado de Paulo. Os futuros gestores, inclusive, escolheram profissionais com assento no governo para participarem de suas equipes em um recado que a sintonia com Paulo não se perdeu.

Raquel já se reuniu com o governador após a eleição. Embora não se comprometa a ficar a favor ou contra Paulo, ela está mais próxima de oferecer um palanque para Armando em 2018 - isso se o PSDB não resolvera lançar candidato próprio já que o ministro Bruno Araújo (PSDB) é cotado como pré-candidato.

A futura prefeita queria disputar a eleição pelo PSB, mas foi rifada e migrou para o PSDB. A atitude despertou a ira do seu pai, o ex-governador João Lyra (PSDB), que foi vice de Eduardo Campos. João Lyra deixou de lado o passado na Frente Popular e vem fazendo críticas ao PSB e a Paulo Câmara. Com isso, sinaliza, por ora, que se esforçará para montar um palanque capaz de derrotar o governador em 2018.

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