segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tropas federais devem continuar atuando no Região Metropolitana do Recife

Logo no primeiro fim de semana da chamada Operação Leão do Norte, 3.500 militares foram às ruas da RMR
Foto: Felipe Ribeiro

Folha-PE

Termina nesta segunda-feira (19) o prazo inicial da permanência das Forças Armadas nas ruas da Região Metropolitana do Recife (RMR), medida que atendeu ao decreto de Garantia de Lei e Ordem (GLO), assinado pelo presidente da República, Michel Temer, no último dia 9, por solicitação do governador Paulo Câmara. Procurada pela Folha de Pernambuco, a Secretaria de Imprensa do Estado informou ontem que o governador já pediu ao Governo Federal a prorrogação da permanência das tropas por mais dez dias, a partir desta terça-feira (19) . A resposta está sendo aguardada para esta segunda-feira.
Durante estes dez dias, a questão vem sendo tratada como prioritária no Palácio do Campo das Princesas. Na semana passada havia rumores de que o governo solicitaria a extensão do prazo até o dia 4 de janeiro, com envio de tropas inclusive para o Interior, que atualmente enfrenta problemas de segurança como aumento de explosões em bancos e de tráfico de drogas. A informação foi antecipada à Folha pelo secretário de Defesa Social do Estado, Angelo Gioia.
A presença de efetivo do Exército, da Marinha e da Aeronáutica como reforço de segurança em Pernambuco, desde as 18h do supracitado dia 9, aconteceu como resposta do Governo do Estado ao regime de operação padrão adotado por policiais e bombeiros militares, que pleiteiam melhores salários e condições de trabalho, além de uma revisão no plano de cargos. Frente à diminuição de PMs e BMs nas ruas, mesmo não havendo sido deflagada greve, o governador fez o pedido e foi atendido.
Logo no primeiro fim de semana da chamada Operação Leão do Norte, as Forças Armadas disponibilizaram 3.500 militares para atuarem primordialmente em 94 bairros da RMR, integrados à Polícia Militar e aos Bombeiros. A presença das tropas federais, com caminhões, tanques e armas de grosso calibre, mudou a paisagem do Grande Recife. Os casos considerados corriqueiros, como crimes de homicídio, latrocínio e até mesmo pequenos arrastões, continuaram ocorrendo, porém, nada muito diferente do que é tido como normal. A exceção ficou por conta das manifestações políticas contra a aprovação pelo Senado Federal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 que causaram atos de vandalismo e destruição em agências bancárias e lojas na avenida Conde da Boa Vista, no Centro da Capital, na última terça-feira.
Durante estes dez dias, conforme informou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, dois terços do efetivo destacado estão sempre nas ruas enquanto um terço descansa. Jungmann enfatizou a importância de governo e militares estaduais chegarem a um acordo, visto que a missão das Forças Armadas é de defesa e não de policiamento. 

O ministro chegou a afirmar que estuda a possibilidade da criação de uma guarda especial nacional, subordinada à pasta, para atender a esse tipo de demanda.
Nesse período, a Folha foi às ruas ouvir a população a respeito das tropas federais no Estado e encontrou opiniões divididas. Pessoas acreditaram que aumentou a sensação de segurança enquanto outras, mesmo concordando com a medida, afirmaram que essa presença assusta.

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