domingo, 22 de janeiro de 2017

Grupo quer separação de Pernambuco do Brasil, criando nova República

Bandeira teria mudanças, com o acréscimo de duas estrelas e o azul ganha novo tom
Foto: Divulgação

JC Online

Duzentos anos após a sua realização, a Revolução Pernambucana de 1817 continua atraindo admiradores. O mais recente é o Grupo de Estudo e Avaliação Pernambuco Independente (Geapi), criado há dois anos. Hoje, reúne cerca de 50 pessoas em cidades da Região Metropolitana e em cidades da Mata Sul, como Palmares e Águas Belas. No dia 6 de março, data em que se celebra o bicentenário da Revolução Pernambucana,o grupo de reunirá no Marco Zero para divulgar o novo movimento separatista nacional. 

“A gente quer mostrar ao governo federal, ao mundo e a Pernambuco que a gente ainda quer a República Pernambucana”, disse o vice-secretário do Geapi, Jonas Correia. A ideia defendida pelo grupo é instalar um governo independente do Brasil através de um modelo de governo de república parlamentarista.

Na nova república Pernambucana, o brasão do Estado seguiria o mesmo, alterando a data da independência pernambucana. A bandeira recebeu uma pesquisa profunda sobre o símbolo, segundo Correia, onde foi definido que o azul receberia um novo tom e, acima do arco-íris, em vez de apenas uma estrela, hariam três, que significariam coragem, liberdade e amor à pátria. O hino permaneceria o mesmo. A mudança seria na primeira estrofe. Em vez de “Coração do Brasil em teu seio”, seria “Coração de Caneca”, um dos líderes revolucionários de Pernambuco. 

Na área de economia, afirma Correia, a nova república teria impostos mais baixos e seria menos burocrática. “O Brasil é um abuso tributário. Uma pessoas para abrir uma empresa, paga várias taxas. O Brasil é o país que tem o pior retorno de imposto do mundo”, declarou. A questão da localização geográfica estratégica também daria maiores oportunidades de negociar com países da América do Norte, Europa e África, acredita o Geapi. “Pernambuco tem todos os requisitos necessários para se tornar uma grande nação.” A gente só não pode repetir os mesmos erros do Brasil”, disse Correia. 

Morando em Newark há nove anos, Jonas Correia explica que se envolveu no movimento separatista há dois anos, após ver uma pesquisa em uma página no Facebook o de foi feita uma enquete e cerca de 65% das pessoas que responderam disseram ser a favor da separação do Estado do restante do País. “Eu sou ainda pernambucano, eu ensino o folclore às minhas filhas. Enquanto ainda tiver um título de eleitor, um passaporte, família aí, pagando impostos, aí, INSS, eu tenho o direito de mudar. Eu nasci aí, eu pertenço a este lugar e eu não estou aqui por opção. Estou aqui porque o Brasil não me oferece condições dignas de viver”, justificou, já com um forte sotaque de quem está fora do País.

O principal meio de difuindir o movimento é a internet. A página no Facebook da República de Pernambuco tem cer de 2,8 mil curtidas. Há, também, um site (www.pernambucoindependente.com) que explica todos os objetivos do Geapi.
LEGISLAÇÃO

O primeiro artigo da Constituição Federal diz que a República brasileira é formada pela "união indissolúvel dos Estados e Municípios". O artigo 34 prevê a manutenção da integradidade nacional como uma das justificativas pelas quais a União pode intervir em algum dos 16 Estados ou no Distrito Federal.

Além disso, a Lei 7.170/83, que define oa crimes contra a soberania nacional estipula pena de reclusão de 4 a 12 anos para a pessoa que "tentar desmembrar parte do território nacional para constituir país independente".

A pena pode ser agravada se o separatista tiver praticado o crime com auxílio de qualquer espécie de governo, organização internacional ou grupos estrangeiros.

"Se separatismo fosse crime, o pessoal do Sul é meu País já tinha sido preso. E até hoje ninguem foi preso. Tudo a gente faz é dentro da Constituição brasileira, não estamos fazendo nada ilegal", falou Jonas Correia, sobre as leis, citando os artigos 5, 8, 16, 17 e 18 da Constituição Federal. Além disso, ele lembrou de separações de outros países, como a República Tcheca e a Eslováquia, Sérvia e Montenegro e o Sudão, e locais onde foi realizado um plebicisto e a população decidiu permanecer unida ao País. É o caso de Quebéc, que quis ficar unida ao Canadá, e a Escócia, que cogitiu se separar do Reino Unido.
OUTROS MOVIMENTOS

Na Internet, o grupo de Pernambuco não é o único movimento separatista a ser difundido. Na última semana, viralizou o “Sulito”, mascote criado para divulgar o movimento O Sul é o Meu País, que prega a formação de um novo País com os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Com sede em Passo Fundo, o grupo que se diz representado em 1.191 municípios. Com bandeira definida (azul, com três estrelas brancas), o movimento tem uma loja virtual onde é possível pagar por uma anuidade de R$ 70.

Mais ao norte, o movimento São Paulo Independente também prega a defesa da propriedade privada como direito inegociável e leis rígidas contra criminosos, além de menos impostos, Forças Armadas Vigorosas e a defesa da família em sua estrutura tradicional como base de uma sociedade saudável. O grupo já tem moeda, o ouro paulista, e está em busca de um hino para substituir o poema de Guilherme de Almeida, adotado pelo governo do Estado. O grupo participou de pelo menos uma das manifestações pela deposição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

No site do movimento O Espírito Santo é o Meu País, o grupo garante que nenhum “imigrante” proveniente de outro estado será deportado e defende que o território é autossuficiente em energia, indústrias e recursos naturais. Tendo o petróleo como base da futura economia, o grupo afirma que desiste do separatismo se alguma pessoa provar que é possível melhorar o Brasil. Também há uma área para doação com valor definido pelos apoiadores.

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