sábado, 14 de janeiro de 2017

Mapa político de PE atesta hegemonia das famílias

Miguel Arraes
Foto: Divulgação

Carol Brito
Folha de Pernambuco

O mapa político pernambucano, desenhado nas últimas eleições, atestou a hegemonia de famílias tradicionais no poder. E este retrato traduz um fenômeno histórico, e recorrente, que se perpetua ao longo das gerações. No último dia 1, tomaram posse 61 prefeitos (veja a lista aqui) com sobrenomes influentes ou parentesco com lideranças da política estadual. Um poder que nos próximos quatro anos irá dominar receitas municipais que vão desde os R$ 23.410.625,40 de Brejão, comandada por um herdeiro da família Cadengue (Beto Cadengue), até os R$ 1.162.240.000 de Jaboatão dos Guararapes, sob liderança de um dos rebentos da família Ferreira (Anderson Ferreira).

A ascensão dos representantes desses grupos não é mero acaso. Seu poder é proveniente de uma estrutura que cria raízes nos municípios e se espalha por outras esferas, elegendo seus integrantes no Executivo e Legislativo. Dessa forma, eles criam uma verdadeira rede para manter sua força e influência nos redutos eleitorais. São sobrenomes que se repetem por décadas no comando das mesmas cidades, se espalham por mais de um município, chegam aos parlamentos e são transferidos de pai para filhos, esposas, irmãos, sobrinhos e primos. 

Uma prática que vem adquirindo novas formas, mas que está na história política do País desde a queda do Regime Monárquico e a instauração da República, em 1889.

Tentáculos
O poder nos municípios na manutenção dos clãs familiares se faz presente, em especial, no Interior. Segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de 70% das cidades brasileiras dependem de repasses externos devido a baixa arrecadação e movimentação de renda nas localidades. Isso potencializa a força dos grupos que passam a ser os maiores provedores de desenvolvimento e empregos nos municípios. O resultado é o uso da estrutura pública para a perpetuação dos grupos.

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