quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Penitenciária que registrou tumulto é uma das piores favelas das unidades do estado, diz promotor

Carro do IML foi até a unidade para buscar corpo de detento que morreu 

Thays Estarque - G1

Após a morte de um detento e um princípio de tumulto na Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), na Ilha de Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife, o promotor da Vara de Execuções Penais de Pernambuco, Marcellus Ugiette, declarou que o presídio é considerado uma das "piores favelas das unidades prisionais do estado". Para ele, a manifestação desta quarta-feira (25) foi um recado para as autoridades do estado.

Um preso, de idade desconhecida, foi encontrado morto durante a madrugada desta quarta. Dormindo no corredor da penitenciária, ele não apresentava sinais de agressão.

Ugiette acredita que o excesso de uso de drogas sobrecarregou o corpo, o que teria levado o óbito. "A penitenciária hoje é uma das piores favelas das unidades prisionais do estado com casas, inclusive, de papelão e presos dormindo no chão", completa o promotor.

A morte do detento gerou uma série de manifestações no presídio. Os presos se negaram a entregar o corpo ao Instituto de Medicina Legal (IML). Eles pediam a presença do promotor e da Secretaria Estadual de Saúde.

Mais cedo, chegaram a exibir, no telhado da PAISJ, o corpo numa maca e coberto por um lençol branco. O carro do IML só conseguiu recolher o corpo por volta das 10h30.

Antes das 10h20, a sirene que toca quando alguém ultrapassa alguma área de segurança, já havia sido acionada duas vezes. Do lado de fora, era possível ouvir gritos de "está todo mundo morrendo aqui".

Entre as denúncias dos presos estão a falta de medicamento e de atendimento qualificado. Entretanto, o promotor assegura que há medicamentos suficientes no ambulatório.

"Com a crise que vivemos hoje no país, esses componentes acabam aumentando a tensão na unidade e qualquer coisa se torna motivo para esse tipo de tumulto. Isso é um recado para todos nós que temos conseguido, de certo modo, controlar maiores tensões e maiores problemas, mas devemos continuar em alerta", pontua Ugiette.

A causa da morte será investigada. A PAISJ recebe presos que cumprem pena no regime semiaberto. Lá, são 600 vagas e uma população de 2.620 detentos.

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