domingo, 8 de janeiro de 2017

Por que os serviços de inteligência dos EUA acham que a Rússia interferiu na eleição de Trump

BBC Brasil

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, buscou ajudar o então candidato republicano Donald Trump a vencer as eleições nos Estados Unidos. A informação é do relatório de uma investigação liderada pelos serviços de inteligência americanos e foi divulgado na noite da última sexta-feira.

Segundo o documento, o líder russo "encomendou" uma campanha com o objetivo de influenciar a eleição.

Ainda de acordo com o relatório - de 25 páginas -, o Kremlin desenvolveu uma "preferência clara" por Trump. Os objetivos da Rússia com isso seriam "minar a fé do povo americano" no processo democrático do país e "denegrir" a imagem da adversária democrata Hillary Clinton, prejudicando sua candidatura e possível mandato.

"Nós entendemos que o presidente russo Vladimir Putin solicitou uma campanha para interferir na eleição americana de 2016", dizia o relatório.

Até agora, o governo russo não se manifestou oficialmente, mas o país já havia negado as acusações anteriormente.

O presidente eleito Donald Trump, por sua vez, disse que o resultado da eleição não foi afetado.
Acusações

O relatório divulgado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos não traz provas concretas sobre o papel de Putin na campanha contra Hillary Clinton, mas afirma que as ações da Rússia incluíram:

- Hackear emails de contas do Comitê Nacional Democrata e de membros da alta cúpula do partido;

- Usar intermediários como WikiLeaks, DCLeaks.com e Guccifer 2.0 para publicar informações adquiridas no hackeamento;

- Usar propaganda financiada pelo Estado e pagar usuários de mídia sociais ou "trolls" para fazer comentários desagradáveis sobre Hillary.

Segundo o documento, Putin apoiava Trump porque ele havia prometido trabalhar ao lado da Rússia. Além disso, o presidente russo havia tido "muitas experiências positivas trabalhando com líderes políticos do Ocidente que, por conta de interesses de negócios, ficavam mais propensos a fazer acordos com a Rússia - como o antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berluscono e o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder".

Mais do que isso, Putin também não teria boas relações com Hillary, porque a considerava responsável por incitar protestos anti-governo em 2011 e 2012 na Rússia.

Os nomes dos agentes russos responsáveis diretamente pelo hackeamento já foram identificados pelas autoridades americanas, de acordo com o documento, mas ainda não foram divulgados.

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