segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Barbárie por todo o país

Paulo Trigueiro e Renata Coutinho
Folha de Pernambuco

A violência que se acentuou no Brasil nos últimos meses beira a barbárie. As recentes chacinas carcerárias que vitimaram mais de 100 pessoas no Norte e Nordeste, assim como as crises de insegurança nas ruas de estados como o Rio de Janeiro, onde o tráfico domina, e no Espírito Santo, em caos pela greve da Polícia Militar que durou até a sexta-feira passada, são exemplos. Em Pernambuco, mais de 450 bancos foram explodidos por grupos fortemente armados desde o ano passado.

O problema não parece ter controle. No Estado, quem usa o transporte coletivo vive com medo. O ano mal começou e os assaltos a ônibus já ultrapassam 450. Os homicídios colocam o Brasil em 9º no ranking dos que mais matam nas Américas. O índice é considerado epidêmico de violência pela Organização Mundial de Saúde: 29 mortes por 100 mil habitantes. São aproximadamente 58 mil assassinatos por ano.
Enquanto as investidas a bancos apontam para assaltantes capacitados e com acesso a armamentos pesados, a polícia, que deveria oferecer segurança à população, tem seu papel reduzido pela falta de valorização profissional, efetivo insuficiente e condições precárias de trabalho.

Os policiais estão acuados. “Não temos armas para combater o crime. Estava de plantão com um colega quando recebemos a notícia de que uma quadrilha estava explodindo o banco da cidade. Eles com fuzis e dinamite. Nós com duas pistolas. Não fomos. Chegar lá com o roubo em curso era pedir para morrer”, narrou um PM, que preferiu não se identificar, sobre o clima de medo que o crime organizado tem produzido no Interior do Estado.
No Espírito Santo, onde a PM entrou em greve contra a desvalorização e o sucateamento, 121 homicídios ocorreram em sete dias. Até a última sexta, quando a paralisação findou, 170 veículos tinham sido roubados e diversos saques levaram um prejuízo de R$ 300 milhões para o comércio. Foram tantos saques que um roubo de saqueadores foi registrado em vídeo. “Todo mundo tentando estocar comida e deixar as portas bem trancadas. Fui barrada num dos maiores supermercados da cidade. Já estava acabando a comida”, contou a analista de T.I. Kamilla Custódio, 23, moradora de um bairro nobre de Vitória.

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