quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os grandes do frevo ganham perfis em livros

Artista gravou 26 LPs, oito CDs e está no Guiness Book por gravar Capiba
Foto: Anderson Stevens

Jacy LunaFolha de Pernambuco 

O Paço do Frevo abriga, às 15h desta quinta-feira (9), uma apresentação da Orquestra Popular do Recife, para marcar um momento especial. Serão lançados dois livros, com perfis de dois símbolos de resistência na trajetória do aniversariante do dia - o frevo. O jornalista José Teles assina o texto “Claudionor Germano - A voz do frevo”, perfil do artista de quase 85 anos, ao passo que Carlos Eduardo Amaral cuidou de “Maestro Formiga - Frevo na tempestade“, da Coleção Frevo Memória Viva, ambos organizados pela Companhia Editora de Pernambuco. 

Caçula de sete filhos, Claudionor é irmão do artista plástico Abelardo da Hora e do médico e escritor Bianor da Hora. Nascido em 10 de agosto de 1932, viveu a infância no Cordeiro. Casado com Maria Lúcia Freire da Hora há mais de 50 anos, tem sete filhos, onze netos e dez bisnetos. Considera dois dos filhos seus herdeiros artísticos: Paulo da Hora e Nonô Germano.

“Antes de ser cantor, era um menino. Comecei cantando no grêmio escolar e, em seguida, no Jet Clube, no conjunto Trio Albano. Meu amigo Geraldo Lemos, um dos componentes do grupo Azes do Ritmo, me apresentou aos demais integrantes. Comecei no grupo como crooner, em 1947. Em seguida, iniciei carreira solo, mas sem deixar o grupo. Assinei meu primeiro contrato com a Rádio Clube e depois com a Rádio Tamandaré e a Rádio Jornal do Commercio”, conta ele. 

Em 1955, através do selo Mocambo, da gravadora pernambucana Rozenblit, gravou um disco, interpretando o frevo-canção “Boneca”, de Aldemar Paiva e José Menezes e, em 1957, o “Frevo nº 3”, de Antônio Maria. Até então, dividia os discos com outros intérpretes. De lá pra cá, ao todo são 26 LPs, os antigos e agora cult “bolachões”, além de outros oito CDs.

“Naquela época, viver da música era algo quase impossível. Só tinha espaço quem “puxava a calça das autoridades” e como esse não era meu perfil, resolvi ter outra atividade. Fui auxiliar administrativo, vendedor de papel higiênico e de bebidas”, destaca o artista, que também exerceu atuou na Gessy Lever. Em seguida, convidado pelo amigo Leonardo Dantas, trabalhou na Fundação de Cultura da Cidade do Recife por 14 anos e criou a Casa do Carnaval.

Participou do 1º Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, com “A canção do amor que não vem”, de Capiba, em 1966. “Já em 1980, veio o primeiro carnaval de rua do Recife, inaugurando a Frevioca, com a Orquestra Popular do Recife, regida pelo meu amigo e companheiro de batalha, Ademir Araújo. A Frevioca é uma idealização de Leonardo Dantas, então Diretor da Fundação de Cultura Cidade do Recife”, diz.

Em 2012, tentou criar um empreendimento chamado “Hora do Frevo”, localizado em Boa Viagem, para ser um espaço representativo da cultura pernambucana. “Mas, infelizmente, não deu certo, porque faltou patrocínio. É difícil conseguir quem queira investir em cultura”, lamenta.

Capiba e outros grandes
“Lourenço da Fonseca Barbosa, o maestro Capiba (1904-1997), que eu considero hors concours em todos os sentidos, é autor de um dos maiores conjuntos de obras musicais do Brasil. Em seu repertório tem desde a ciranda até a missa armorial”, enumera Claudionor. “Sou o cantor brasileiro recordista de gravação de composições de um mesmo autor no Brasil. Ao todo, gravei 132 canções de Capiba. Este feito me colocou no Guiness Book”, recorda.

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