sexta-feira, 3 de março de 2017

Após investida no Cabo, Polícia anuncia banco de dados genéticos de assaltantes

Equipe da SDS detalha explosão de caixas no Cabo
Foto: Rafael Furtado

Folha de Pernambuco

A Polícia Civil está montando um banco de dados genéticos sobre suspeitos de assaltos a bancos. A iniciativa foi anunciada na tarde desta quinta-feira (2), durante a apresentação dos detalhes da explosão de bancos ocorrida durante a madrugada no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. O chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle, afirma que é uma quadrilha interestadual com participação de criminosos de Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Acre. 

A investida no Cabo acabou com cinco suspeitos mortos e quatros presos. A quarta prisão, de um ex-presidiário de 34 anos que portava uma espingarda calibre 12 e sete munições intactas. ocorreu no fim da tarde. Ele foi achado quando o Gati fazia uma varredura no engenho Caraúna, no município de Moreno, escondido sob palhas. 

Um décimo suspeito foi levado para o Hospital Dom Hélder Câmara, no Cabo. Na coletiva, a Polícia afirmou que ele havia morrido. Já o hospital confirma que Ailton Marciel de Oliveira, 22 anos, natural do Rio Grande do Norte, foi atendido e levado ao bloco cirúrgico na tarde desta quinta, mas diz que ele continua em tratamento.

"A investida em Pernambuco novamente foi frustrada. As equipes chegaram a tempo e os criminosos só tiveram acesso à tesouraria de ambos os bancos, não ao numerário. Eles agora estão descapitalizados e sem o farto armamento", disse Kehrle. Em 2016, 110 pessoas foram presas suspeitas de investidas do tipo. Em 2017, com os três de hoje, já são 42.

Quando houve a troca de tiros os reféns já haviam sido liberados - três deles ficaram feridos. Os três passam bem segundo a polícia. Dois foram atendidos no Hospital Dom Hélder, no Cabo, e um foi levado ao Hospital Português, na área central do Recife. 

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Todos os criminosos foram presos e não houve morte de policiais ou reféns. O roubo também não foi efetivado. O policial atribui o sucesso da operação policial ao protocolo estruturado em dezembro para combater assaltos a bancos. "Com esse protocolo, tão logo recebem a informação, os policiais partem logo para o local", defendeu Kehrle.

O chefe da Polícia Civil explicou também que foi colhido material papiloscópico e genético. A investigação vai tentar descobrir se há relação entre este assalto e o da transportadora de valores Brinks.

"Sabemos que 15 dias depois da Brinks houve um assalto no Sertão do Seridó, RN, muito semelhante ao daqui. Acreditamos que, descapitalizados, eles tentaram esse confronto lá. O modus operandi usado no Recife foi o mesmo usado no Seridó"

Um colete da Polícia Civil do Rio Grande do Norte está entre o material apreendido nesta quinta. "Ainda não se sabe se é autêntico ou não", disse Kehrle.

Para o comandante da Polícia Militar, Vanildo Maranhão, o apoio aéreo foi o diferencial na operação de busca. "Poderia ter sido decisivo no assalto da Brinks", disse Maranhão - a aeronave usada no caso da Brinks não faz vôo noturno e não é blindado.

O comandante da Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE), Vanildo Maranhão, explicou que as primeiras denúncias começaram a chegar ao Comando de Policiamento da Capital (Copom) às 3h40. Por telefone, a população do centro do Cabo relatava tiros e explosões. 

O plano de ação foi coordenado pelo Ciods e as primeiras equipes a chegar ao local foram as guarnições do Grupamento Tático Itineranta (Gati), do 18º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. 

Fuga
Maranhão explicou que sete suspeitos fugiram do centro do Cabo por uma estrada vicinal e chegaram a um canavial. "Três deles se renderam imediatamente ao efetivo do 18º - estavam armados com escopeta calibre 12, submetralhadora e pistolas", afirmou. Esses foram levados para depor no Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), em Afogados, Zona Oeste do Recife.

Em seguida chegaram equipes do batalhão especializado do interior e da Rádio Patrulha e da Companhia de Operações Especiais (Cioe). Foi feito o cerco a um raio de 200 metros da área onde eles estavam e uma varredura começou a ser feita no canavial. Os criminosos reagiram à atividade policial e três dos suspeitos morreram no local - um quarto foi socorrido. 

Mais dois suspeitos morreram durante um segundo confronto com a polícia, em um engenho em Moreno. "A morte dos suspeitos se deve ao fato de não se entregarem e atirarem nos policiais", disse Joselito.

Operação aérea
Foi fundamental o uso da aeronave. O helicóptero funciona como uma plataforma de observação. Do alto, a equipe orienta o time que está em solo para o confronto com os criminosos. A PRF também cedeu uma aeronave.

Kehrle explicou que os suspeitos vão responder por vários crimes, como organização criminosa, tentativa de homicídio, incêndio, dano qualificado. "Juntos, resultam e uma pena de 68 anos para cada agência que atacaram. Chega a 136 anos para cada um deles", esclareceu.

Entenda o caso
A investida ocorreu durante a madrugada desta quinta (2). As agências do Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica amanheceram com as vidraças quebradas. Em frente ao banco Itaú, foram encontrados blocos que podem ser explosivos.

Para dificultar a ação da polícia, os assaltantes chegaram a deixar um ônibus atravessado na antiga BR-101, paralela a avenida Getúlio Vargas, onde ficam as agências.

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