quinta-feira, 2 de março de 2017

Carnaval parece ter sido tranquilo - Magno Martins

O Governo deixou para hoje o anúncio oficial dos números da violência no Carnaval em Pernambuco, mas a princípio, apesar do pandemônio criado na semana pré-carnavalesca por policiais em estado de “operação padrão”, uma greve branca da Polícia Militar e Bombeiros, parece que o esquema de segurança funcionou bem, mobilizando 31 mil homens nos principais focos da folia.

Havia uma desconfiança da sociedade de que a festa, notadamente o desfile do Galo da Madrugada, seria uma tragédia anunciada, mas, felizmente, quem confiou no Governo e foi reviver as emoções do maior bloco de rua do mundo pode se divertir sem colocar a vida em risco devido à presença da polícia de forma efetiva nas ruas. Montado pelo secretário de Defesa, Ângelo Gioia, com o auxílio dos comandantes da PM e da Polícia Civil, o esquema evitou a convocação de tropas federais, como pediu um grupo de deputados da oposição na Assembleia Legislativa.

“Se fosse preciso, o governador Paulo Câmara teria solicitado, como fez ano passado. A polícia de Pernambuco tem comando. Não existe nenhum lugar em Pernambuco onde a polícia não entre. Isso não resolve. De qualquer forma, é preciso colocar a polícia na rua para ir aos lugares, porque os homens da Força Nacional não conhecem o lugar", disse Gioia, dois dias antes de abertura oficial do reinado do momo.

Ele estava certo. Pelo que li, ontem, duas pessoas foram mortas durante a festa no Polo de Carnaval instalado no bairro do Pina, na noite da segunda-feira e na madrugada da terça-feira. Em nota, a Polícia Militar informou que as vítimas são do sexo masculino e tinham 18 e 22 anos. No início da noite do domingo, uma mulher morreu e duas pessoas ficaram feridas durante uma festa de rua no bairro do Ipsep. Segundo testemunhas, um carro teria chegado ao local e os ocupantes de veículo teriam disparado tiros contra a multidão, que acompanhava uma disputa de sons. O chamado "paredão" reunia cerca de 600 pessoas, quando aconteceu o crime.

As ocorrências policiais foram acompanhadas em tempo real no Centro Integrado de Comando e Controle Regional – CICCR, no Bairro de São José, o chamado Centro de Operações do Carnaval. Lá, funcionaram, de forma integrada à Secretaria de Defesa, diversos órgãos, a exemplo das polícias Federal e Rodoviária Federal, DER, Prefeitura do Recife, Consórcio Grande Recife e Metrorec. Os números do balanço oficial hoje podem apontar para um dos carnavais mais tranquilos dos últimos anos.

Ninguém torce para o quanto pior, melhor. Se isso se confirmar, os foliões e a população em geral devem reconhecer o esforço do Governo e a competência da polícia. Afinal, o que se esperava era uma tragédia.

INSEGURANÇA EM ÔNIBUS– Um prato cheio para a oposição no Estado: fevereiro, o mês da folia, da irreverência e da alegria carnavalesca, fechou com um total de 329 assaltos a ônibus. Só na terça-feira gorda da folia foram nove casos na Região Metropolitana. Em todo o mês, no ano passado, setenta e cinco coletivos foram assaltados, um crescimento de 438% deste tipo de ação criminosa. De 1º de janeiro a 27 de fevereiro deste ano foram 674 casos. Em todo o ano de 2016 foram 1.916 casos. Não tem quem não ande, literalmente, assustado num coletivo na RMR, seja para ir ao trabalho ou qualquer lugar.

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