sábado, 25 de março de 2017

Delator diz que pagamentos em espécie eram feitos até em 'cabaré'

Sede da Odebrecht
Foto: Reprodução/Odebrecht

Folhapress

Em depoimento à Justiça Eleitoral, o delator da Odebrecht Hilberto Mascarenhas, responsável pelo setor de pagamentos de propina da empresa de 2006 a 2015, relatou que as entregas de dinheiro em espécie aconteciam em "lugares absurdos" e até "cabaré".

A reportagem teve acesso à íntegra do depoimento.

Questionado pelo juiz auxiliar da ação que pede a cassação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer na eleição de 2014 sobre como eram os pagamentos ao marqueteiro João Santana e a esposa dele, Mônica Moura, responsável por operacionalizar as finanças, Hilberto respondeu:
"Se fossem valores pequenos encontravam num bar, em todos os lugares. Você não tem ideia dos lugares mais absurdos que se encontra, no cabaré...".

Para repassar os montantes maiores, no entanto, Hilberto esclarece que Mônica ou um representante dela se hospedava em um hotel onde se encontravam com um intermediário contratado pela Odebrecht que fazia a entrega, mas que não era ligado diretamente à empresa.

"Então, você se hospedava no hotel e de noite ele visitava o quarto do interessado, entregava e ia embora, para poder ter mais segurança se fossem valores maiores", contou.

Relatou ainda que, quando era o principal responsável pelo departamento de operações estruturadas, a área do grupo que realizava o pagamento de propinas e caixa dois, preferia pagar tudo fora do Brasil.

"Eu dizia: eu prefiro pagar tudo no exterior, que era lá que era feita a geração, eu preferia pagar no exterior. Mas ela [Mônica Moura] exigia que partes fossem pagas no Brasil, justificando que tinha que pagar alguns serviços que eram feitos no Brasil..."

Hilberto relatou ainda que Mônica estaria na lista dos "top five" que recebiam os valores mais elevados de propina da área.

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