quarta-feira, 17 de maio de 2017

Ampliar acesso ao VEM é desafio

Diário de Pernambuco

O sistema de recarga do Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) vive o dilema entre a expansão do modelo, mediante o aumento de pontos de venda e recarga, e a sua capacidade operacional. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) pretende ampliar os atuais 450 pontos para seis mil em toda a Região Metropolitana do Recife, mas ainda emperra nas falhas do sistema dos atuais locais de venda. A ideia da modernização é dar mais agilidade à recarga e eliminar a figura do cobrador, reduzindo, dessa forma, a circulação de dinheiro nos coletivos. Mas o modelo ainda não está pronto. Em três anos, 700 mil cartões foram vendidos.

Atento às denúncias, o próprio Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitou a suspensão das demissões dos cobradores pelas empresas de ônibus e recomendou que a Secretaria das Cidades, a Urbana e o Grande Recife Consórcio de Transportes resolvam as falhas no sistema até o dia 22 de maio. Entre os principais pontos que necessitam de ajustes estão a falta de informação, poucos pontos de venda, e as limitações no próprio sistema.

Ao fazer a recarga no próprio posto da Urbana, na Rua da Soledade, Boa Vista, o jornalista Phelipe Rodrigues usou uma das máquinas de autoatendimento com o cartão de débito. A operação foi concluída pelo banco, mas não pelo sistema do VEM. “Eu recebi a mensagem pelo celular confirmando o débito no valor de R$ 100, mas não houve o crédito desse valor no cartão do VEM”,explicou o jornalista, que passou três horas para tentar resolver o problema dentro do posto de atendimento do Urbana.

“Não há um protocolo a ser feito no caso de uma falha. Eu tive que ir ao banco para imprimir a mensagem do celular e tive que procurar o número da máquina de autoatendimento da própria Urbana. Tive que fazer tudo eu mesmo e ainda esperar. Eles pediram para eu voltar em 72 horas, mas não me deram nenhum documento por escrito. Por isso, muita gente sai sem conseguir resolver”, disse.

De acordo com a Urbana a máquina de autoatendimento só apresentou quatro eventos em três meses e o caso do jornalista foi uma combinação de erros e falta de pessoal adequado, uma vez que as duas pessoas responsáveis pelo setor estavam ausentes. Outra reclamação comum é o usuário dizer que colocou determinado valor e a recarga ficou abaixo. O estudante Dalington de Souza, 25 anos, contou que fez a recarga na máquina da Estação de BRT, em São Lourenço da Mata, mas não recebeu o crédito no cartão do VEM. “Eu vim aqui na central para tentar resolver, mas eles disseram que eu terei que voltar à mesma estação em São Lourenço, onde eu não consegui resolver antes”, contou.

Há ainda, segundo o promotor, poucos locais de venda e de recarga. A comercialização casada do bilhete também é um dos problemas constatados pela promotoria. “A população não sabe onde estão esses locais. Quanto à venda casada, o usuário não pode pagar por uma coisa que não vai usar. Atualmente, ele não pode comprar apenas uma viagem. O bilhete vem com créditos além. Isso não pode acontecer”, esclareceu.

As empresas de ônibus receberam 50 máquinas de recarga em dinheiro para atendimento volante. Já os seis mil pontos estão sendo acertados com um novo parceiro. Atualmente a Urbana faz parceria com a rede Ponto Certo e pretende ampliar o sistema com mais um parceiro, que não teve ainda o nome revelado. Também já está em operação a recarga pelos aplicativos do CittaMob e da Rede Ponto Certo com cartões de débito e crédito.

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