terça-feira, 9 de maio de 2017

Uber exige selfie por segurança

uber
Foto: Divulgação

Folha de Pernambuco

Acumulando cada vez mais casos de motoristas e passageiros vítimas da insegurança no Brasil, a Uber anunciou, na segunda-feira (8), mais uma ferramenta que busca aumentar a confiabilidade do serviço. Os condutores de veículos operados pelo app passam a ter que fazer uma verificação de identidade em tempo real, que consiste em fotografar o próprio rosto pa­­­­ra permitir que o sistema faça um cruzamento de fotos e confirme se quem está dirigindo é a mesma pes­­­soa que está cadastrada. 

A novi­­­­da­­­­de vale em todas as regiões em que a empresa atua, inclusive a Região Metropolitana do Recife (RMR), onde o serviço está presen­­te desde março de 2016, e Caruaru, no Agreste do Estado, aonde chegou na última sexta-feira.

A tecnologia já havia sido testada nos Estados Unidos em setembro do ano passado, com 99% de êxito nas verificações de identidade. O pro­­cesso demora poucos segundos e será necessário quando o mo­­­­torista ficar online no aplicativo ou antes de aceitar uma viagem. Segundo a Uber, a seleção de quem terá que se identificar ocorrerá aleatoriamente. Em seguida, será preciso tirar a selfie. A foto é comparada com o cadastro instantaneamente, e a confir­­­­mação é finalizada por meio da tecnologia Microsoft Cognitive Services.

O procedimento de segurança pode evitar que, mesmo sem estar cadastrado, alguém dirija veículos do Uber, como um assaltante depois de levar o carro de um condutor que trabalha para o aplicativo. A ferramenta também deve inibir uma reclamação comum de usuários: a de que o motorista que chega para fazer a viagem, por vezes, não é o mesmo que aparece na imagem mostrada no momento em que a corrida é solicitada. Conforme a Uber, se a selfie e a foto cadastrada não coincidirem, a conta do condu­­­­tor será temporariamente bloque­­­­a­­­da até que a situação seja apurada.

“Isso também deve evitar casos de motoristas que eram bloqueados pelo sistema devido a uma avaliação ruim, mas que, para continuarem rodando, faziam o cadastro no nome de um irmão ou de um primo”, diz Júnior Carvalho, presidente da Associação dos Motoristas Autônomos de Transporte Individual Privado de Passageiros (Amatipe), que conta com 2,7 mil associados em Pernambuco. Ele, no entanto, faz ressalvas. “Só falta o mesmo rigor em relação aos passageiros. Muitas vezes, a gente não sabe quem está indo buscar. Recentemente, a Uber deixou de rodar em locais de risco. Mas o bandido que está na comunidade não vai roubar lá. Nosso problema com insegurança é em Boa Viagem, é em Casa Forte”, exemplifica.

Os locais em que há restrições de circulação nunca foram divulgados oficialmente pela empresa, mas os motoristas citam como integrantes dessa lista Ilha Joana Bezerra e Santo Amaro, na área central do Recife, Córrego de Euclides, Córrego do Jenipapo, Dois Unidos, Água Fria e quase todos os morros à direita da avenida Norte (sentido subúrbio). A medida foi confirmada em 24 de abril, justificada por “questões de segurança pública”. Há três meses, a Uber também havia anunciado que passaria a exigir CPF de usuários que pagam as corridas em dinheiro.

No Grande Recife, três motoristas foram assassinados em uma semana, no mês de março, por situações de risco que, segundo a categoria, podem ser atribuídas a brechas na identificação de quem usa o aplicativo. Em todos os casos, os passa­­geiros - dois ex-presidiários e um ex-interno da Fundação de Atendimen­­­to Socioeducativo (Funase) - eram os pro­­­­­­váveis alvos dos atentados, segundo a Polícia Civil declarou na época. Os casos motivaram um protesto dos condutores, pelas principais ruas e avenidas do Centro do Recife, para pedir mais ferramentas de segurança.

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