quarta-feira, 14 de junho de 2017

Derrotados, mas empregados no Estado

Levantamento de Álvaro Porto registra cerca de 300 nomeações de novembro até agora
Foto: Jarbas Araújo/Alepe

Ulysses Gadêlha
Folha-PE

O deputado estadual Álvaro Porto (PSD) acusou, na última terça-feira (13), o governador Paulo Câmara (PSB) de "montar palanque para 2018", ao levar para o quadro de comissionados do Estado, ex-prefeitos e aliados que não tiveram êxito na eleição de 2016.

Nomes de ex-prefeitos como Ives Ribeiro, de Paulista; Adilson Gomes Filho, de Moreno, e Gino Albanez, de São Lourenço da Mata, foram acomodados como assessores da administração socialista. Para o deputado Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo, as contratações são naturais e fazem parte do processo de coalizão, previsíveis em uma democracia.

O levantamento feito pelo corpo técnico do gabinete de Álvaro Porto aponta que, com as nomeações, entre novembro de 2016 e março desse ano, o Governo do Estado acomodou cerca de 300 pessoas. “Entre os contratados, estavam filiados do PSB ou partidos aliados que foram derrotados nas eleições de outubro. Também estavam correligionários que encerraram mandato em dezembro. Por baixo, o generoso abrigo de partidários custa R$ 2 milhões mensais”, diz Porto.

Conforme o Portal da Transparência descreve, a remuneração dos ex-prefeitos mencionados pelo oposicionista gira entre R$ 6 mil e R$ 11 mil. Gino Albanez (PSB), de São Lourenço da Mata, por exemplo, está alocado como vice-presidente executivo da Empetur, com um salário de R$ 7.883. Adilson Gomes Filho (PSB), de Moreno, é assessor da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), remunerado em R$ 9.966,62.

No início de junho, também foram nomeados para cargos comissionados os ex-prefeitos Ferdinando Lima (Parnamirim); Luciano Torres ( Ingazeira), Paulo Tadeu (Vicência) e Antônio Menezes (Cabrobó).

Governo
O líder do governo na Alepe considera as nomeações como um fato natural dentro do processo democrático de coalizão. “O gasto com cargos comissionados em Pernambuco é o menor do Brasil. Essa modalidade representa apenas 1% da nossa folha de pagamento. Certamente, o deputado Álvaro Porto, quando era prefeito de Canhotinho, também contava com seus aliados na gestão municipal”, ameniza o socialista.

Considerado “dissidente”, Porto alega que nunca pediu cargos ao PSD ou ao governo. “Enquanto o discurso da limitação de recursos se repete entre os aliados, a prática do governo estadual vai em outra direção. Essa é uma tentativa de naturalizar algo muito condenável, a superlotação da máquina para formar palanque para 2018”, repreende.

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