quinta-feira, 8 de junho de 2017

Reconstruir escolas vira prioridade na Mata Sul

Mais de dois mil alunos estão sem aula só na cidade de Catende. Estado se preocupa com preparação para o Enem
Foto: Paullo Allmeida

Renata Coutinho
Folha de Pernambuco

O secretário Estadual de Educação (Seduc), Fred Amâncio, entregará um relatório nos próximos dias ao Ministério da Educação que discorre sobre a situação de todas as escolas estaduais e municipais danificadas ou destruídas pelas enchentes do fim de maio. Entre as estaduais, 41 sofreram danos e uma foi totalmente destruída. Das municipais, 190 estão danificadas e 11 precisarão se reconstruídas.

A pasta ainda está fazendo o levantamento completo para dimensionar o que cada uma vai precisar. Nas enxurradas de 2010, o Governo Federal enviou R$ 138 milhões para reestruturar a rede. Somente em Catende, segundo a secretária de Educação Ivanira Félix, são mais de duas mil crianças sem aulas desde o fim de maio porque as unidades viraram casa para quem perdeu tudo. 

Além da preocupação com a infraestrutura, outro desafio é manter o calendário escolar. Muitos estudantes ainda permanecem sem aulas porque os colégios viraram a moradia provisória dos desabrigados. Para isso, a Seduc está montando uma força-tarefa com as cidades no intuito de programar um cronograma extra de aulas. 

“Dentro de sala de aula não se prejudica o ano letivo, os estudantes estão protegidos. Não estão nas ruas colocando pé na lama, nem sujeitos às doenças e estão alimentados. A nossa meta geral da Mata Sul é colocar as crianças dentro de sala”, reforçou Amâncio.

O chefe da pasta, além da atenção geral as escolas pernambucanas, é o coordenador da Operação Prontidão na cidade de Catende na Mata Sul, que foi invadida pelas águas do rio Panelas. No município, ruas importantes do centro foram totalmente inundadas, a exemplo da Bela Aurora.

A cheia encobriu casas, alcançado quase 2,5 metros em alguns trechos. Foi exatamente em um deles que a Seduc teve sua maior perda: a escola Estadual Costa Azevedo, a única da perda total do Estado. 

Apesar de a chuva ter dado uma trégua, o cenário ainda era devastador ontem. Os 600 estudantes estão sendo relocados em outra unidade de ensino. “Nossa maior preocupação tem sido com os alunos do 3º ano porque o Enem não espera e em outubro independente de enchente eles tem a avaliação”, afirmou Fred Amâncio.

Leonardo José, 19, Jocylene Gonçalves, 19, e Joseane Maria, 17, são alguns deles. “Foi muito triste encontrar a escola assim. Quando entrei aqui, era inacreditável a situação. Queremos voltar o mais rápido possível para o nosso espaço”, contou Leonardo.

Até mesmo o diretor da Costa Azevedo, Roberto Senna, que já viu o colégio ser afetado pelas chuvas quatro vezes, estava impressionado. “Se de outras vezes conseguimos tirar algumas coisas, dessa vez não. Tive que sair nadando da escola”, comentou. 

Na rede municipal de Catende preocupa a situação da educação infantil. Das 31 unidades de ensino, 21 estão funcionando, cinco estão abrigando pessoas, duas não têm acesso terrestre, duas estão danificadas e uma creche foi perdida. Nos abrigos improvisados crianças estranham a nova rotina de verem a sala de aula virar casa. 

“Fico preocupada com os estudos dele, mas muita gente não tinha para onde ir nem nós e vamos esperar se resolver da melhor forma. A escola dele também virou abrigo”, contou a dona de casa Naldiene Lima, 27, mãe de Darlinton, 8 anos.

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