quinta-feira, 15 de junho de 2017

Três anos após início da Copa, ‘elefantes brancos’ servem até de escola para reduzir prejuízo

Mané Garrincha custou quaste R$ 2 bilhões e dá prejuízo anual de R$ 6,4 milhões

BBC Brasil

Todos os dias, centenas de crianças atravessam os portões da Arena Pantanal em Cuiabá. Mas elas não estão indo a um jogo de futebol - estão indo para a escola. O estádio com capacidade para 41 mil pessoas construído para a Copa do Mundo é hoje um colégio estadual para 300 alunos de 12 a 17 anos.

Essa passou a ser a principal função da arena, que ficou às moscas pela escassez de jogos e eventos - que nunca conseguiram atrair bom público. Os custos para a sua manutenção são de R$ 700 mil por mês, gerando um prejuízo de milhões para o Estado.

"A principal fonte de renda (do estádio) é o governo, que banca", contou à BBC Brasil Leonardo de Oliveira, Secretário Adjunto de Esporte e Educação do Mato Grosso. "Nós temos aqui alguns times, mas eles não têm torcida muito grande. Não dá para bancar com os jogos. E para os shows, não tem público para encher. A gente faz shows nacionais aqui de 10 mil pessoas, é pequeno para uma arena de 40 mil. Construíram um estádio desse que não tem como ter renda."

Passados três anos do início da Copa do Mundo no Brasil, o cenário nos estádios construídos para o Mundial é bem diferente de 2014, quando receberam grandes espetáculos de futebol com arquibancadas lotadas. Hoje, sofrem para preencher as cadeiras e conseguir cobrir os altos gastos de manutenção.

A realidade em Cuiabá não é diferente da de outros quatro estádios construídos para o Mundial. Assim como na capital do Mato Grosso, em Brasília, Manaus e Natal o grande problema é a falta de tradição do futebol local - e de torcidas que encham estádios. Entre os 12 estádios construídos ou reformados, esses cinco são os "elefantes brancos" por serem, de longe, os mais vazios e com mais desafios para eliminar os prejuízos.

Uma saída, pelo menos até o ano passado, tem sido sediar partidas de grandes clubes do Sudeste, como Flamengo e Corinthians, que poderiam vender seus mandos de campo a esses estádios. Mas em 2016 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) proibiu que as equipes transferissem seus jogos para outros Estados.

Estádio de Cuiabá só tem sediado jogos de futebol local, que têm público médio de 500 a mil pessoas

Em Recife, o caso é mais peculiar: a cidade tem três clubes fortes e tradicionais, mas a Arena Pernambuco, construída em um local afastado da capital, não têm atraído torcedores como se esperava e agora também sofre para fechar as contas.

A estimativa é que os cinco "elefantes brancos" citados acima dão um prejuízo anual aos cofres públicos de mais de R$ 30 milhões.

E entre os 12 estádios construídos ou reformados para a Copa, só duas arenas não estão tendo suas obras investigadas - o Beira-Rio e a Arena da Baixada (Curitiba). As outras, geraram suspeitas de corrupção, fraude na licitação, superfaturamento e propina paga a políticos das cidades-sede.

Para marcar os três anos do início da Copa nesta segunda-feira, a BBC Brasil fez um levantamento sobre custos e arrecadações anuais e como estão sendo utilizados os estádios tidos como os cinco "elefantes brancos" entre os construídos ou reformados para a Copa, por serem, de longe, os mais vazios e com mais desafios para eliminar os prejuízos.

São eles: Mané Garrincha (Brasília), Arena Pantanal (Cuiabá), Arena da Amazônia (Manaus), Arena das Dunas (Natal) e Arena Pernambuco (Recife).

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