sexta-feira, 28 de julho de 2017

"Estou mais madura", comemora Etiene após feito histórico

Etiene Medeiros no pódio no Mundial
Foto: divulgação/CBDA

Folha-PE

A pernambucana Etiene Medeiros segue seu destino de abrir os caminhos. Na tarde dessa quinta-feira, 27/07, pôs seu nome na história ao ser a primeira mulher brasileira campeã nas piscinas em 44 anos de história do Campeonato Mundial dos Esportes Aquáticos, da Federação Internacional de Natação. Ela venceu os 50m costas com o recorde das Américas (27s14), quebrando o 27s18 que fizera na semifinal. A nadadora pernambucana foi a primeira a subir no pódio do mundo em piscina ao conquistar a medalha de prata do Mundial Júnior de 2008, depois foi a primeira a subir no pódio adulto ao vencer com recorde do mundo o Mundial em Piscina Curta de Doha, em 2014, e agora vence na maior competição da FINA.

A prova foi emocionante desde o banco de controle, no momento em que as atletas se preparam para entrar na piscina, pois a chinesa Fu Yuanhui, sempre muito confiante, pela primeira vez a cumprimentou. Uma vez no bloco de partida, a brasileira apenas relaxou e fez o que sabia. Apesar de ter Yuanhui ameaçando durante todo o percurso, ela se manteve na liderança e fez a diferença na chegada vencendo por um centésimo.
Etiene enfileirou atrás dela diversas medalhistas olímpicas, além da chinesa — bronze nos 100m costas dos Jogos Rio 2016; a terceira colocada, a bielorussa Aliaksandra Herasimenia, foi bronze ano passado também no Rio e a quarta colocada, a australiana Emily Seebohm coleciona duas medalhas de ouro e três de prata ao longo de três edições olímpicas: Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016.

"Pela primeira vez eu balizei na raia quatro em um Mundial e sempre tem aquela tensão, mas querendo ou não conta a minha experiência. Antes de entrar pra TV, a chinesa virou pra trás e me desejou boa prova. Ela nunca fez isso. Quando eu entrei o pessoal que autoriza a nossa entrada brincou com isso e eu ri. Isso até ajudou a entrar mais relaxada. Na prova de 50m tudo pode acontecer. Qualquer coisa te leva pra traz, mas deu certo. Primeiro ouro em piscina longa... Muita coisa a gente tem que aprender. Precisamos aprender a ser mais unidos, a querer que o outro vença. Fora d’água também faz a diferença.

Assim como no Mundial de Doha, há três anos, ela cresceu durante as etapas da competição até a vitória final, com concentração e método.

"Estou mais madura. Mesmo não nadando outras provas antes eu consegui nadar bem. Sinto que estou mesmo mais madura, aprendendo a transformar o que não foi bom em aprendizado. Hoje vibro essa medalha do que a do início que ganhei, porque eu sei o peso dela. Está sendo diferente para mim. Ter essa experiência e bagagem conta, mas só vou conseguir mensurar essa conquista quando chegar ao hotel, abraçar meu técnico, passar essa energia para a delegação. Mas caímos mesmo na real quando se chega ao Brasil, encontra os nossos amigos que acordaram cedo para me ver competir. Meus pais e meu irmão não estão aqui, sinto falta disso, e eles também fazer parte disso, estão na água comigo.

O técnico Fernando Vanzela, parceria de sucesso há mais de cinco anos, também destaca o crescimento e o fortalecimento da atleta ao longo do tempo.

"Depois da Olimpíada a gente resolveu dar uma refrescada, um intervalo um pouco maior, porque foi um ciclo muito intenso. Depois fizemos a opção por um ano de priorizar as provas de 50, que foi um risco, porque tínhamos um trabalho muito bom nas provas de 100, mas ela estava a fim de bancar e eu, pelo que conheço da capacidade dela, sabia que iria administrar bem. Fomos para Windsor e ela ganhou os 50m costas lá, agora ganhou na longa, então temos o título na curta e na longa. Em Janeiro ela ficou mais de 20 dias de férias, nunca fazemos isso, e gradativamente fomos reconstruindo a temporada, progredindo dentro da temporada e, acho que no momento certo, ela atingiu o ápice. A eliminatória foi muito tensa para ela, conversamos mais e na semifinal ela já estava diferente e foi este resultado que deu a confiança para a prova de hoje. A chegada foi muito treinada, buscamos fazer chegadas melhores, porque sempre os últimos metros que irão definir, e aos poucos fomos melhorando isso també", analisou Fernando Vanzela.

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