domingo, 23 de julho de 2017

Com força eleitoral, membros da Lava Jato despontam como 'nova elite política'

Sérgio Moro venceria Lula em eventual segundo turno, de acordo com DataFolha; Dallagnol se tornaria senador pelo Paraná
Foto: Fotos Públicas

JC Online

Oficialmente não há nenhum nome posto dos membros da Operação Lava Jato na disputa para 2018. No entanto, as sondagens eleitorais começam a testar candidaturas como a do juiz federal Sérgio Moro, que comanda processos na primeira instância força-tarefa. Na última pesquisa Datafolha, ele, apesar de não ter partido político, em eventual segundo turno, seria o único a superar Lula numericamente, com empate técnico: 42% a 40%.

A um ano das eleições, nomes ligados às investigações são projetados como candidatos em potencial. Cientistas políticos avaliam esse grupo como uma “nova elite política”. A leitura é que das entranhas da Lava Jato nasceu essa ala que se coloca em oposição à política tradicional, com matrizes ideológicas ligadas a esquerda e a direita e marcadas pelas práticas doa conchavos, do clientelismo e do compadrios.

O cientista político Elton Gomes, professor da Faculdade Damas, no entanto, faz ressalvas quanto à atuação política desse grupo. Segundo ele, a equipe vai muito além do cumprimento da lei. Ele observa que a posição de “salvadores da pátria” e da cruzada armada contra os políticos tradicionais pode gerar componente explosivo para a democracia.

“Eles têm uma agenda e uma ideia de como deveria ser a política no Brasil e eles querem concretizar o ideal através de ações policiais”, explica. Na análise, o professor procura ir além da crítica ou do elogio à Lava Jato, ele lança luz sobre o estado de operação policial permanente. Segundo Gomes, nenhuma democracia é capaz de prosperar nesse terreno.

Já o professor Adriano Gianturco, de Ciências Políticas do Ibmec, avalia o movimento com naturalidade. Para ele, é saudável à democracia o fortalecimento da categoria. "A política é exatamente isso. Uma esfera de poder em que os mais diversos grupos da sociedade tentam fazer pressão", explica.

As 10 medidas contra a corrupção, campanha encabeçada pelos procuradores da República, são exemplo da força que o grupo exerce na sociedade. 

Neste lastro, nomes como o do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, começam a ganhar densidade. O Paraná Pesquisas incluiu o nome dele ao Senado daquele estado. Pelo levantamento, o procurador seria eleito com 29,6% dos votos. Dallagnol tem rodado o País fazendo palestras e participações em igrejas. Nos cultos, ele leva sua palavra sobre o combate à corrupção.

O professor de Direito Constitucional do Ibmec, de Minas Gerais, Vladimir Feijó argumenta que o traço negativo desse movimento é o fato do grupo ligado à Lava Jato atuar de forma “messiânica”.

“Eles agem como se estivessem salvando o País e purificando da corrupção que existe na política. Como se toda ela fosse só corrupção. Quando na verdade, política é a tomada de decisão em prol da sociedade. Ela em si não é corrupta. O que está em análise são as ações de pessoas corruptas e não a política como um todo”, afirma.

Feijó observa ainda algo crucial nesse processo. Para se filiar a algum partido político, os procuradores ou juízes precisam abandonar a carreira, não somente pedir licença. “A Constituição estabelece garantias para eles, mas determina que a lei orgânica também estabeleça um conjunto de deveres e dentro deles a lei, que está abaixo da Constituição proíbe a candidatura político-partidária”, explica.
A BUSCA POR ÉTICA

Professor de Direito Eleitoral, Rogério Sanches, observa que, em meio às denúncias de corrupção, vai se destacar o político com perfil de gestor e honestidade ilibada. E, nesse espectro, se encaixam os perfis dessa “nova elite política”.

Para corroborar a análise, o professor explica as intenções do eleitorado brasileiro das últimas décadas. Ele lembra que, após a ditadura militar, a busca era por alguém que simbolizasse a renovação. Nesse lastro, elegeu-se o Fernando Collor, eleito com o ar da modernidade.

Em seguida, com a hiperinflação corroendo o bolso dos brasileiros, a procura era pelo nome que devolvesse a estabilidade econômica. Escolheu-se Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Lula veio sobre a esperança de se investir no social e equilibrar as desigualdades sociais do Brasil. Agora, com todos os ideais naufragados por denúncias de corrupção, a ética política pauta a escolha no próximo ano.

Sanches, entretanto, faz um alerta sobre a importância de diferenciar as competências. “É importante estabelecer que um grande promotor não vai ser, necessariamente, um grande administrador. Não se pode confundir as coisas”, avalia Sanches. “Não gosto de partir da premissa de que um grande nome de um poder será a salvação da pátria. Não nego que possa sê-lo, mas não acho que devemos fazer essa relação. Temos vários casos de ex-integrantes do Ministério Público e do poder Judiciário que hoje em dia administram governos de maneira extremamente questionável”, pontua.

Expectativa de poder ajudar a turbinar Partido Democratas

Rodrigo Maia, do DEM: destino do País está nas mãos dele caso aceite um dos pedidos de impeachment contra Temer
Foto:Alex Ferreira/Câmara Federal

Franco Benites
JC Online

Era setembro de 2010 e o presidente Lula (PT), ao participar de um comício da então candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) declarou que era preciso “extirpar o DEM (Partido Democratas)” da política brasileira. Sete anos depois, Lula foi condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão, Dilma se elegeu, mas saiu do poder após sofrer impeachment, e o DEM dá sinais de que pode se fortalecer enquanto partido político - objetivo que persegue desde que abandonou a denominação PFL (Partido da Frente Liberal) em março de 2007.

Um dos fatores que contribuem para o fortalecimento do DEM é a expectativa do poder que ronda o partido desde que Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiu a presidência da Câmara Federal. Com a corda no pescoço do presidente Michel Temer (PMDB) cada vez mais apertada e a possibilidade do democrata assumir o comando do País, ainda que por apenas um mês, a sigla passou a ser vista como uma opção interessante de filiação inclusive por gente que já fez parte dela nos tempos de PFL.

“A possibilidade de Rodrigo Maia tornar-se presidente abriu essa janela. Os políticos brasileiros têm um instinto de sobrevivência apuradíssimo e estão vendo a possibilidade de se realinharem no antigo PFL. Para muitos, que por sobrevivência foram para outros partidos, o momento é propício para que voltem ao seu partido de nascimento”, atesta o cientista político Gilbergue Santos, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).




Esse momento favorável é a saída do PT do poder. Enquanto Lula e Dilma comandaram o País, o PFL/DEM não conseguiu se firmar como partido de oposição. Muitos de seus filiados, alguns históricos, deixaram a sigla para ingressar no PSB, tradicionalmente ligado à esquerda, ou no PSD, de perfil mais centrista. Poucos queriam fazer parte de um partido que vinha minguando.

O pernambucano Mendonça Filho foi um dos que permaneceram no DEM e por pouco ele não viu o capital eleitoral ruir. Na eleição para prefeito do Recife em 2012, ficou em quarto lugar com 2,25% dos voto e foi um dos últimos na lista dos deputados federais eleitos em 2014. No Congresso, foi um dos articuladores do impeachment e tornou-se ministro da Educação da gestão Temer.

“Amargamos um período difícil e muito duro. Chegou a ser sentenciada a morte do DEM, mas felizmente o presságio do presidente Lula não aconteceu. A gente chegou a ter 21 deputados depois de termos uma bancada de mais de 100 parlamentares”, declara Mendonça.

Para ele, as dificuldades ficaram no passado. “Hoje a gente tem 31 deputados e a perspectiva de abrigar pelos menos dez do PSB. Podemos a chegar a 50 parlamentares no total”, comenta, reforçando que valeu a pena seguir no DEM. “Quem tem coerência e posicionamento em política colhe frutos”, afirma.

O ministro afirma que o DEM, dentro da estratégia de recuperação nacional e local, seguirá nas críticas do que classifica como lulo-petismo. “Estamos em um bom caminho com uma visão renovada, centrista e liberal-democrática, que é muito contemporânea com a realidade da população”, diz.
VISIBILIDADE NO ESTADO

A visibilidade do ministério da Educação pode pavimentar o caminho para uma disputa majoritária em 2018, mas Mendonça Filho diz que não é hora para tratar de eleições. O democrata, que fez parte da gestão Paulo Câmara (PSB) até 2016, é tratado como rival na gestão estadual porque, para governistas, ele usa o cargo para ganhar pontos eleitoralmente - a mesma avaliação é feita em relação ao ministro Bruno Araújo (PSDB), que comanda a pasta das Cidades.

Mendonça evita entrar em polêmica e diz que tem apenas trabalhado normalmente. Nos bastidores, no entanto, é dada como certa a entrada dele na disputa. O que não se sabe é se ele disputará o Senado ou o governo estadual e o futuro depende das negociações com o PSDB e também com o PTB do senador Armando Monteiro.

Na avaliação do cientista político Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o atual momento do DEM ajuda o ministro a se tornar um candidato competitivo. Porém, ele ressalta que, se de um lado, a reeleição a deputado está garantida, do outro, Mendonça terá desafios como majoritário.

“Não podemos descartar a força da gestão Paulo e do PSB ou do lulismo, em particular no interior”, diz Adriano. Ele lembra que pesquisas feitas no Estado indicam Lula (PT) como um grande cabo eleitoral.

Para Adriano Oliveira, a situação do DEM na Bahia é melhor do que a do partido em Pernambuco. “ACM Neto (prefeito de Salvador) é bem avaliado e é mais provável que o DEM obtenha mais cadeiras na Assembleia e na Câmara lá do que aqui. Mendonça faz um excelente trabalho, tem a estrutura federal, mas não tem estrutura de poder no Estado”, avalia.

Fora Mendonça, o quadro de destaque do DEM no Estado é a deputada estadual Priscila Krause, candidata derrotada à prefeitura do Recife em 2016. Ela fala que uma série de “felizes coincidências” ajudam a sigla ressurgir. “Houve um movimento de encontro do partido com a sociedade ainda que não seja de uma forma explícita e declarada. Se você fizer algumas perguntas à população, as respostas irão coincidir com que o DEM prega em sua existência”, defende a democrata.

A culpa é da imprensa

Hélio Schwartsman
Folha de S.Paulo

Especialmente quando estão em apuros, políticos recorrem a supostos complôs entre a mídia e elites com interesse na manutenção do "statu quo" para explicar suas dificuldades e até o surgimento de denúncias contra sua administração. O subtexto aqui é o de que os meios de comunicação não hesitam em utilizar sua capacidade de influir para instilar as preferências ideológicas de seus controladores no restante da população.

É uma ideia verossímil, mas será que é verdadeira? Na era do "big data", dá para testar a hipótese, e foi isso que Matthew Gentzkow (Stanford) e Jesse Shapiro (Brown) fizeram num estudo de 2010. Em primeiro lugar, eles foram a uma base de 433 jornais dos EUA, que respondiam por 74% da circulação total. Em seguida, analisaram os textos noticiosos dessas publicações e os classificaram segundo um "index" ideológico baseado na frequência de expressões mais usadas por democratas ou republicanos. Por exemplo, republicanos quase sempre se referem a um tributo sobre sucessões como "death tax" (imposto sobre a morte) enquanto democratas preferem usar "estate tax" (imposto sobre patrimônio).

De posse dessa classificação, tentaram identificar fatores que faziam com que alguns jornais tendessem mais à esquerda e outros mais à direita. E o que eles descobriram é que as preferências políticas dos leitores da área onde o jornal circulava explicavam muito melhor a linha editorial da publicação do que as inclinações partidárias de seus donos e diretores.

Não é que os proprietários nunca puxem a brasa para a sua sardinha, mas que tendem a fazê-lo em situações específicas e sem contrariar sistematicamente as preferências do leitorado. Faz sentido, já que a meta das empresas é ganhar dinheiro.

Se esses achados podem ser extrapolados para outros mercados, há mais perigo em a mídia atuar como uma caixa de ressonância do público do que como uma quinta-coluna.

Charge do Paixão - Gazeta do Povo


Minha Casa Minha Vida já admite desistência de comprador

Para rescindir contrato,mutuário deve entregar imóvel nas condições em que recebeu, pois ele será destinado a outra família
Foto: Divulgação

Marina Barbosa
Folha-PE

Os brasileiros que compraram um imóvel através do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) agora podem desistir do contrato, cancelando o financiamento. A chamada rescisão contratual por desistência foi autorizada por portaria do Ministério das Cidades, mas pede algumas contrapartidas. Entre elas, o compromisso do beneficiário de deixar os encargos da casa em dia, quitar as despesas da rescisão e entregar o imóvel nas mesmas condições em que recebeu para que ele possa ser destinado a outra família. 

Especialista em direito imobiliário da Martorelli Advogados, Maria Eduarda da Fonte lembrou que, antes da portaria publicada nesta semana, o beneficiário não tinha a possibilidade de solicitar a anulação do contrato. Afinal, o programa habitacional só previa rompimentos contratuais impostos pelo agente financiador, no caso, a Caixa Econômica Federal (CEF). “Estavam previstas rescisões por descumprimento contratual, ocupação irregular, inadimplência e desvio de finalidade com práticas comerciais. Mas a portaria nº 488 mudou expressamente a portaria nº 606 de 2016, dando autonomia para o beneficiário sair do contrato caso tenha vontade”, esclareceu Maria Eduarda, lembrando que, para valer, essa desistência precisa ser formalizada junto à instituição financeira que fez o contrato. 

Ela frisou, por sua vez, que essa liberdade tem um ônus. É que, pelas novas regras, o usuário que solicitar o distrato não poderá ser contemplado com outra unidade habitacional do MCMV. “Mesmo assim, ter essa possibilidade é interessante, porque hoje há muita irregularidade dentro do programa. Beneficiários que não podem continuar com o contrato, por exemplo, acabam fazendo vendas ilegais e com o nome negativado”, ponderou o vice-presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Wilson Rascovit, dizendo que a alta inadimplência registrada no programa nos últimos meses pode ter levado à alteração das regras. 

O Ministério das Cidades não revelou a motivação das mudanças. Mas, em nota, acrescentou que os contratos do MCMV também podem ser rescindidos quando a moradia for invadida após a assinatura do contrato, em casos de ruptura familiar em função de violência doméstica ou ainda em casos de medidas de proteção à testemunha. 

E os titulares dos contratos rompidos dentro destas situações têm o direito de financiar outra unidade habitacional. Eles ainda podem deduzir do novo contrato os valores e o prazo das prestações mensais já pagas. 

Na portaria n° 488, o ministério ainda mantém a possibilidade de o contrato ser rompido pelo banco caso os beneficiários não cumpram com os requisitos do MCMV. Pode haver distrato, por exemplo, quando as parcelas mensais deixam de ser pagas, o imóvel é ocupado de forma irregular ou passa a ser usado para uma finalidade distinta da habitacional.

“Opção do governo é transferir para o cidadão a conta de seus erros”, diz Lamachia

OAB

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, voltou a criticar o governo federal pela decisão do presidente da República, Michel Temer, de promover aumento das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis. O reflexo da medida já foi sentido pela população, que viu os preços dos combustíveis saltarem de um dia para o outro. Lamachia afirmou que o governo transfere para o cidadão a conta de seus erros de gestão e que a alta terá impactos em todo o sistema produtivo sacrificando toda a sociedade. Segundo o presidente da Ordem, o aumento de impostos é “inaceitável”.

“O inaceitável aumento da carga tributária explicita a opção do governo de, mais uma vez, transferir para o cidadão a conta dos erros cometidos da condução da máquina pública”, disse Lamachia. “A carga tributária no país já é desproporcional às contrapartidas recebidas pelos pagadores de impostos. Essa nova e equivocada medida, que incide sobre os combustíveis, atrapalha todo o sistema produtivo. Para tentar salvar o governo, não é possível sacrificar a sociedade", acrescentou o presidente da OAB.

Ao comentar a decisão de Temer, Lamachia voltou a contextualizar a medida diante das agressivas liberações de verbas feitas pelo governo a deputados comprometidos em absolver o presidente da República da denúncia que foi apreciada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A denúncia ainda será votada no Plenário da Casa.

“Milhões são gastos para liberar emendas para deputados na tentativa de conseguir votos para barrar a denúncia contra o presidente da República. Ao mesmo tempo, pessoas investigadas por corrupção continuam ocupando cargos públicos, o que indica falta de prudência com a gestão. Ao invés de profissionalizar a gestão do Estado e usar com eficiência os recursos já arrecadados, o governo opta por impor aos brasileiros que paguem a fatura da gestão”, declarou Lamachia.

As peças se movem

Bernardo Mello Franco
Folha de São Paulo

O Brasil ainda não sabe se Michel Temer terminará o ano na Presidência. Mesmo assim, os políticos já pensam no lance seguinte. Os movimentos dos últimos dias reforçam a sensação de que a eleição de 2018 está na rua.

A condenação de Lula obrigou todos os jogadores a moverem suas peças no tabuleiro da sucessão. Diante da ameaça de xeque-mate, o ex-presidente avançou os peões. Subiu num palanque na avenida Paulista e fez discurso de candidato.

Do outro lado da mesa, a jogada mais ensaiada é se apresentar como o anti-Lula. O prefeito João Doria e o deputado Jair Bolsonaro saíram na frente. Os dois usaram as redes sociais para divulgar vídeos comemorando a condenação do petista.

Eles disputam a preferência de quem foi às ruas de verde e amarelo pelo impeachment de Dilma Rousseff. Boa parte desse eleitorado está enojada com o que veio a seguir, mas ainda não se animou a voltar às ruas para protestar.

O governador Geraldo Alckmin tenta correr atrás do pupilo. Na sexta-feira, ele citou o bloqueio de R$ 9 milhões da previdência privada de Lula para atacar o ex-presidente. "O riquinho não sou eu", ironizou.

Na véspera, Lula havia debochado do tucano, seu rival na eleição de 2006. Em entrevista ao programa "Na Sala do Zé", do jornalista José Trajano, ele disse que o governador "parece que mamou até os 14 anos, empinou pipa na frente do ventilador".

Criador e criatura, Alckmin e Doria travam uma disputa cada vez menos discreta pela legenda do PSDB. O governador cercou as peças do prefeito ao propor a realização de prévias no partido. O movimento deixa Doria com duas alternativas incômodas: recuar ou ser tachado de infiel.

Na entrevista de quinta-feira, Lula antecipou outro lance. Indicou que pode lançar o ex-prefeito Fernando Haddad se for impedido de concorrer. "O Haddad pode ser uma personalidade importante se ele se dispuser a percorrer o Brasil", disse.

O esquema do PSB

TRAGÉDIA - O ex-governador e o jato de 8 milhões de dólares que caiu no litoral paulista durante a campanha 
Foto:Edson Silva/Folhapress

Thiago Bronzatto
Veja

Empresário revela que avião que matou o ex-governador Eduardo Campos tinha um amigo do presidenciável como proprietário oculto

Em meados de 2014, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, começava a ganhar espaço na disputa eleitoral à medida que se desgarrava do PT e se apresentava como uma alternativa numa disputa polarizada entre tucanos e petistas.

A “terceira via” chamava a atenção dos brasileiros, sobretudo porque o PSB passava ao largo do escândalo de corrupção da Petrobras.

Mas a rota de Campos e de seu partido mudou radicalmente em agosto de 2014, quando o jatinho Cessna Citation 560, que transportava o candidato a presidente, caiu em Santos, no litoral paulista.

A tragédia ceifou a vida do ex-governador.

Pouco tempo depois, veio à tona uma pergunta que começou a tisnar a imagem de Campos e do partido: de quem era, afinal, o avião usado pelo candidato a presidente?

Após quase três anos de investigação da Polícia Federal, um delator resolveu por um ponto final no mistério: o proprietário oculto era Aldo Guedes Álvaro, amigo de Eduardo Campos, seu braço-direito e ex-assessor.

sábado, 22 de julho de 2017

Delação de Marcos Valério atinge FHC, Lula e Aécio

Marcos Valério
Foto: Arquivo Agência Brasil

Folhapress

O acordo de delação firmado entre o publicitário Marcos Valério e a Polícia Federal, que detalha um esquema conhecido como mensalão tucano, também atinge os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), além dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Segundo a reportagem apurou, a colaboração com a PF incorpora 60 anexos (relatos de supostas irregularidades) que haviam sido rejeitados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Ministério Público de Minas Gerais. O novo acordo ainda ampliaria a lista de implicados.

A delação, assinada neste mês, foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) e depende de homologação. Não está claro quais episódios serão considerados pela PF.
Valério escreveu a delação à mão na prisão e teve os anexos posteriormente digitados. 

Condenado a mais de 37 anos de prisão pelo mensalão petista, Valério também é réu acusado de operar desvios por meio de suas agências de publicidade, a SMP&B e a DNA Propaganda, para financiar a fracassada campanha de reeleição do então governador mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998.

Uma planilha assinada por Valério aponta que a campanha recebeu cerca de R$ 10 milhões (o equivalente a aproximadamente R$ 33 milhões hoje) em desvios de estatais como Cemig, Copasa, Furnas, Petrobras e Banco do Brasil.

O documento, com data de 1999, foi entregue à PF. O relatório aponta ainda que quase R$ 48 milhões (cerca de R$ 159 milhões atuais) foram obtidos via empréstimos, especialmente com o Banco Rural. As dívidas, segundo os anexos, seriam quitadas por construtoras, como a ARG e a Andrade Gutierrez.

Segundo o publicitário, o esquema de empréstimos fraudulentos do Banco Rural e um repasse de R$ 1 milhão da Usiminas via caixa dois beneficiaram as campanhas de FHC (1998), Aécio (2002) e Serra (2002). A siderúrgica foi usada também na eleição de Lula, em 2002, conta Valério.

Um anexo afirma que Serra atuou, após perder a eleição presidencial de 2002, para resolver pendências do Banco Rural e, em troca, teve R$ 1 milhão de dívidas de campanha pago pelo banco por meio da SMP&B.

Propina
Valério relata, nos 60 anexos, pagamento de propina em troca da obtenção de contratos para suas agências.

Durante o governo FHC, diz, a DNA repassou a Aécio 2% do faturamento do seu contrato com o BB, que havia sido arranjado pelo senador com o aval do ex-presidente.

O publicitário afirma que, no governo Lula, pagava R$ 50 mil por mês ao ex-ministro José Dirceu (PT) pela publicidade dos Correios. A troca de favores teria se repetido na Câmara dos Deputados, no Ministério dos Esportes e na Assembleia de Minas.

Valério afirmou ainda que Aécio se encontrou, em Belo Horizonte, com a diretoria do Banco Rural e com os então deputados Eduardo Paes (PMDB-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), da CPI dos Correios, de 2005, para blindar Azeredo.

Em outra CPI, a do Banestado, de 2003, o Banco Rural, segundo Valério, repassou R$ 500 mil a parlamentares por meio do deputado federal José Mentor (PT-SP).

Mensalão
Os 60 anexos iniciais de Valério narram que o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, foi nomeado pelo ex-presidente para ser o contato com a SMP&B em meio à crise do mensalão, em 2005, e acertou um pagamento de R$ 5 milhões via Andrade Gutierrez para a defesa de alguns réus.

Valério diz que, junto com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, articulou um encontro entre o banqueiro Daniel Dantas e o ex-ministro Antonio Palocci para resolver problemas do Grupo Opportunity com o governo Lula.

Em troca, a Brasil Telecom, controlada pelo grupo, contratou serviços superfaturados do publicitário Duda Mendonça por R$ 12 milhões.

Outro lado
A defesa do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirma que não irá fazer comentários sem ter acesso à delação.

Alberto Toron, advogado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), diz que as acusações de Marcos Valério são falsas. Ele argumenta que o contrato da DNA Propaganda, de Valério, com o Banco do Brasil foi firmado em 1994, antes do governo Fernando Henrique Cardoso.

"O próprio Ministério Público, em outras oportunidades, reconheceu e descartou as inverdades dos discursos proferidos pelo senhor Marcos Valério", diz.

A assessoria do ex-presidente FHC afirma que ele desconhece a delação e qualquer pagamento de caixa dois.

A assessoria do Instituto Lula afirma que, desde 2012, Valério faz acusações sem provas contra o PT e o ex-presidente. Diz ainda que todas as investigações foram arquivadas pelo MP e que Paulo Okamotto não irá comentar suposições de delações.

O advogado de José Dirceu, Roberto Podval, diz que dar credibilidade a Valério é "desacreditar o próprio instituto da delação".

O deputado José Mentor (PT-SP) afirmou não ter conhecimento da delação e que "não 
tratou de qualquer assunto da CPI do Banestado com Valério".

A assessoria do Banco Opportunity afirma que Daniel Dantas não se encontrou com o ex-ministro Antonio Palocci. "Delúbio Soares pediu ao Opportunity que o ajudasse a pagar dívidas do PT, o que foi rejeitado."

Segundo a assessoria, Duda Mendonça fez a publicidade da Brasil Telecom GSM, empresa de celular.

A defesa de Duda Mendonça preferiu não se manifestar. A defesa de Delúbio afirma que não teve acesso à delação e que o ex-tesoureiro do PT nunca cometeu ato ilegal.

A assessoria da Andrade Gutierrez afirma que a empresa não vai comentar a delação. A reportagem não conseguiu contato com o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o ex-ministro Antonio Palocci.

Postos de gasolina do Grande Recife já estão com as bombas reajustadas

Na Zona Sul, a gasolina comum alcança R$ 3,79
Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem

JC Online

Com o aumento do imposto Pis/Cofins (que incide diretamente sobre os valores dos combustíveis) realizado nesta quinta-feira (20), os efeitos já são sentidos no bolso do consumidor. Em Olinda, no Varadouro, a gasolina comum está custando R$3,39, há uma semana, o diesel 3,19 e o etanol 3,1, em um posto da região. "O movimento caiu. O aumento do imposto afetou diretamente a companhia e até as promoções tiveram de ser retiradas", comenta o chefe de pista Bruno Nóbrega.

No bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, a realidade não é muito diferente. Os preços alcançam a R$ 3,79. No Posto Verali, na Avenida Conselheiro Aguiar, por exemplo, a gasolina custava R$ 3,29 e agora passou para R$ 3,69. Outro posto localizado na Avenida Engenheiro Domingos Ferreira, o preço passou de R$ 3,29 para R$3,69.

Já no bairro de Afogados, na Zona Oeste do Recife, apesar da alta na cobrança, é o local onde apresentam os valores mais acessíveis para a população que variam de R$ R$ 3,27 a R$ 3,45. "O preço baixo é uma forma de atrair mais clientes e lucrar mais", afirma o chefe de pista do Posto BP Márcio Mendes.

"Absurdo porque somos surpreendidos da noite para o dia", reclama o administrador de empresas Manuel do Nascimento Filho. "É um absurdo, porque no final do mês, gasto 70 litros no tanque. Vai aumentar muito os gastos", desabafa o empresário Leandro Tavares.
Variação de preços

"O mercado é livre e a pessoa coloca o preço que quer", afirma o Presidente da Sindicombustíveis-PE Alfredo Ramos sobre a variação dos valores cobrados em cada posto. Ramos explica que o aumento é de 40 centavos na gasolina, 22 centavos no diesel e 19 centavos no etanol.

Os valores registrados do diesel vão de R$ 2,67 a R$ 3,19. Já o etanol, o mais barato custa R$ 2,59 e o mais caro chega a R$ 3,14.

Meirelles dorme durante discurso de Temer na cúpula do Mercosul

Meirelles cochila no Mercosul
Foto: reprodução/vídeo

Folhapress

O ministro da Economia, Henrique Meirelles, dormiu nesta sexta-feira (21) durante o discurso do presidente Michel Temer na Cúpula do Mercosul, que ocorre em Mendoza, na Argentina.

Meirelles, que integra a comitiva brasileira, estava sentado ao lado de Temer e cochilou diversas vezes durante a fala presidencial.

Em seu discurso, o presidente demonstrou preocupação com a situação da Venezuela.
"Somos sensíveis à deterioração do quadro político-institucional, às carências sociais que, nesse país amigo, ganham contornos de crise humanitária", disse.

Segundo Temer, na América do Sul não há lugar para prisões arbitrárias, repressão política e atos que afrontem os preceitos democráticos.

"Já não há mais espaço para governos indiferentes à sorte de seu povo", afirmou Temer.

O presidente concluiu dizendo que "nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática na Venezuela".

MANGUEZAL DE IGARASSU


A cidade de Igarassu foi contemplada pela natureza com uma imensa área coberta por manguezal, esse importante ecossistema que serve como berçário para a reprodução de inúmeras espécies de peixes, moluscos e crustáceos. Entretanto nos últimos anos vem sofrendo um longo processo de destruição com aterros, desmatamentos e a poluição que está causando enormes estragos ao meio ambiente. Precisamos salvar o manguezal de Igarassu da destruição. 

Fernando Melo - Igarassu / PE
Professor e Ambientalista

Vídeo mostra assalto a ônibus que terminou com passageiro morto


TV Jornal

O assalto a ônibus que terminou com a morte de um passageiro, na tarde desta quinta-feira (19), em Paulista, no Grande Recife, foi flagrado pelo circuito de monitoramento do coletivo, que fazia a linha TI Pelópidas Silveira/Costa Azul. A qualidade da imagem, que tem sido um ponto de investimento de proprietários de ônibus, possibilitou a identificação dos suspeitos pela polícia.

No vídeo, é possível ver o momento que a dupla se levanta e anuncia o assalto. Por volta das 16h30, na altura da PE-22, os dois começam a recolher os pertences das vítimas, quando um dos passageiros reage e atira. Os disparos atingem três pessoas, incluindo um dos suspeitos do crime.


Por determinação do Ministério Público, não podemos identificar as vítimas e os suspeitos de envolvimento no assalto. Por isso, as imagens receberam tratamento.

Vítimas

O coletivo estava cheio, com cerca de 60 pessoas, quando os dois suspeitos anunciaram o assalto. Durante a troca de tiros, muita gente se jogou no chão para se proteger.

O auxiliar de entregas Carlos Henrique Izidoro da Silva, 29 anos, que voltava para casa depois de um dia de trabalho, levou três tiros no ombro e um no peito. Ele não resistiu e morreu dentro do coletivo.

Um outro passageiro foi baleado e precisou ser socorrido por policiais militares para o Hospital Miguel Arraes e passa bem. O suspeito baleado está internado sob custódia na unidade de saúde.

Balanço

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, só este ano já foram registrados 2.252 assaltos a ônibus no Grande Recife. De acordo com os dados da Secretaria de Defesa Social, de janeiro a junho deste ano, foram registrados 838 assaltos a ônibus em todo o estado.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Charge do Amarildo - Gazeta(ES)


O racha na base de Matuto em Paulista

Blog do Edmar Lyra

O clima político de Paulista está em ebulição porque independentemente de haver a eleição suplementar na cidade, vários nomes dentro da base já trabalham pela cadeira de Matuto em 2020.

Além do presidente da Câmara Fábio Barros e o vice-prefeito Jorge Carrero, o vereador Vinícius Campos (Solidariedade) já é visto como pré-candidato a deputado estadual e consequentemente um nome para tentar a prefeitura na sucessão do prefeito.

Vinícius, inclusive, tem a simpatia de metade do secretariado de Matuto e também de parte significativa da Câmara, que o enxergam como a principal liderança em ascensão na cidade.

Aliado de Augusto Coutinho, Vinícius tem sido cortejado por outros partidos para poder disputar o mandato de deputado estadual e se tornar um nome viável para a prefeitura na próxima eleição.

De todas as dificuldades da gestão atual, a principal delas se dá na comunicação, comandada pela jornalista Dulce Melo, que não conhece a engenharia política que existe no estado. Tem gente que chama ela de secretária de quinta categoria por não saber tratar as pessoas como se deve.

Mas a gestão de Matuto também não é de toda ruim, há um elogio fundamentado de muita gente sobre Carlinhos Fome, que atua como uma espécie de primeiro-ministro de Paulista e tem a nítida dimensão da construção política que precisa ser feita no município, ele inclusive tenta manter a tropa unida e não tem logrado êxito.

A base do prefeito aposta alto que não haverá eleição suplementar em Paulista pois há dois recursos para serem julgados, o que retardaria o processo e naturalmente o prefeito poderia chegar no mandato até o final dele sentado na cadeira.

Porém dificilmente a tropa estará unida para a sucessão porque somente dentro da base surgem pelo menos quatro pré-candidatos a prefeito, o que deixa o gestor em grande dificuldade para manter a base unida.

Eleição suplementar de Paulista já causa discórdia na base de Júnior Matuto

Blog do Edmar Lyra

O prefeito de Paulista Júnior Matuto, que já está ciente das chances de haver nova eleição na cidade, segue numa grande dúvida sobre quem seria o seu nome para a eleição suplementar.

O presidente da Câmara de Paulista, vereador Fábio Barros, será seu sucessor imediato, e trabalha pra ser candidato na eleição suplementar, porém o grupo do atual prefeito não confia no vereador, que já pulou de galho em galho a vida inteira. “Trair Matuto sentado na cadeira de prefeito não seria nada demais pra Fábio”, afirma um aliado do prefeito em reserva.

O outro nome seria uma reedição da “solução Ipojuca”, onde Andrea Matuta seria ungida por Matuto pra disputar a prefeitura. Porém ninguém sabe se ela lograria êxito devido o elevado desgaste da atual gestão na cidade.

Nomes como Nena Cabral, Sérgio Leite, Ramos, Duffles Pires e Gilderley já trabalham suas pré-candidaturas em Paulista criticando severamente o prefeito pelas ruas da cidade.

Os quatro ministros de Pernambuco voltarão à Câmara para barrar denúncia contra Temer, no dia 2

Giovanni Sandes
JC Online

Os quatro ministros de Pernambuco, todos deputados federais, devem voltar à Câmara Federal, em 2 de agosto, para engrossar a base do presidente Michel Temer (PMDB) no dia da votação da denúncia em plenário. A decisão não é apenas voltada aos quatro pernambucanos. Alcança o gabinete inteiro de Temer, formado em larga maioria por deputados. O que for decidido será aplicado a todos, na luta de Temer para continuar no cargo.

No caso dos pernambucanos, essa medida já foi utilizada antes, para votar o teto dos gastos públicos e a reforma trabalhista. Mas na época não alcançou todos os quatro. No teto, só o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), e o das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB), tiveram exoneração temporária. Na reforma trabalhista, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), se somou à dupla. Agora, a tendência é que também o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), vá ao plenário declarar voto.

Operação combate lavagem de dinheiro no Grande Recife e Mata Sul

Joselito Kehrle
Foto: Arthur Mota

Folha de Pernambuco

Crimes geraram prejuízos que podem chegar a R$ 40 milhões de acordo com a Polícia

Uma operação policial foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (21) para prender suspeitos de integrar uma operação criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e crimes licitatórios. Os valores desviados podem chegar a R$ 40 milhões de acordo com a Polícia Civil. A operação foi batizada de Comunheiro II e ocorre nas cidades de Olinda, Recife, São Lourenço da Mata, Paudalho e ilha de Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife, além de Carpina e Buenos Aires, na Zona da Mata Norte.

Estão em andamento oito mandados de prisão, 26 de busca e apreensão domiciliar e 12 de conduções coercitivas. Também foi decretado o bloqueio judicial de contas bancárias e a proibição de empresas contrataram com o poder público. Essas medidas cautelares foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Carpina. Os detalhes serão apresentados pelo chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle, na manhã desta sexta-feira (21).

Participaram da operação 170 policiais civis, além de auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com apoio da Controladoria Geral da União (CGU). As investigações foram efetuadas pela Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp), assessorados pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel).

Quanto ganha um deputado federal?

Contas Abertas

Altos salários, auxílio-moradia, verba de gabinete… muitos são os benefícios garantidos a um parlamentar brasileiro. Você tem ideia de quanto tudo isso custa aos cofres públicos? O site Politize!, que visa a educação política, explicou direitinho tudo o que você precisa saber sobre os privilégios assegurados a quem ocupa o disputado cargo de deputado federal.

Atualmente, cada deputado federal recebe um salário bruto de R$ 33.763,00, valor superior ao recebido pelo Presidente da República, pelo vice-presidente e pelos Ministros de Estado, que ganham R$ 30.934,70 mensais.

Essa quantia coloca os deputados federais brasileiros entre os parlamentares mais bem pagos do planeta. No ranking elaborado pela revista The Economist, o Brasil ocupa a quinta colocação entre 29 países citados. Nossos parlamentares são também os mais bem pagos da América Latina, seguido por Chile, Colômbia e México. A lista, contudo, considera apenas a renda base, sem levar em conta outros benefícios remunerados.

Mas o valor do rendimento mensal dos deputados federais pode estar prestes a mudar. Em novembro de 2016 a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a proposta que reduz o salário dos deputados federais e senadores para R$ 26.723,13, por tempo indeterminado. O texto agora segue para plenário e, se aprovado, será enviado à Câmara dos Deputados, onde também precisa ser aprovada para ter força de lei.

O pagamento do salário mensal é condicionado ao comparecimento do deputado às sessões deliberativas do Plenário e o registro nas votações realizadas. Assim, se um deputado federal não justifica ausência em uma votação, terá parte do seu salário descontado. Além disso, a ausência não justificada em ? das sessões ordinárias de cada sessão legislativa pode acarretar perda de mandato.

As ausências são justificadas se o parlamentar estiver em missão oficial dentro ou fora do país, em casos de doença comprovada por atestado, licença maternidade e licença paternidade ou, ainda, falecimento de pessoa da família até o segundo grau civil e acidente.

Outros benefícios dos deputados federais?

Além do salário, existem outros benefícios concedidos ao deputado federal para garantir o exercício do seu mandato. Confira quais são:

1) Auxílio-moradia e imóvel funcional

A Câmara dos Deputados possui 432 imóveis funcionais sob sua administração, concedidos aos deputados federais em efetivo exercício do mandato e a partir de alguns critérios pré-definidos, como idade e quantidade de moradores. Os portadores de necessidades especiais têm prioridade.

Segundo as regras, o imóvel é destinado exclusivamente à residência do deputado ocupante e seus familiares, sendo proibida a cessão ou transferência a terceiros. Além disso, o mesmo deputado não pode ocupar mais de uma unidade residencial.

Aos deputados federais que não conseguirem um dos imóveis funcionais disponíveis, é concedido um auxílio-moradia no valor de R$ 3.800,00. Os benefícios de moradia são destinados aos deputados que não possuem residência em Brasília. Entretanto, em 2014, o jornal Estado de Minas apurou que 19 parlamentares recebiam o benefício mesmo possuindo casas ou apartamentos na cidade.

2) Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap)

É um valor destinado para cobrir despesas relativas ao exercício do mandato, como passagens aéreas, serviços postais, manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, hospedagem, combustível, contratação de serviços de segurança e consultoria, entre outros.

A cota funciona por meio de reembolso e seu valor depende do estado de origem de cada deputado, variando entre R$ 30 mil e R$ 45 mil. Isso porque leva em conta o preço das passagens aéreas de Brasília até a capital do estado pelo qual o deputado foi eleito. O saldo não utilizado pelo deputado em determinado mês acumula-se ao longo do exercício financeiro, ou seja, o período que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, não sendo acumulada de um exercício financeiro para o seguinte.

3) Verba destinada à contratação de pessoal

É um valor de R$ 97 mil mensais, destinados à contratação de até 25 secretários parlamentares, cuja lotação pode ser no gabinete ou no estado de origem do deputado.

4) Despesas com saúde

O deputado federal tem direito a ressarcimento integral de todas as despesas hospitalares relativas a internação em qualquer hospital do país, caso não seja possível atendimento no serviço médico da Câmara.

Além disso, o deputado federal recebe também uma verba equivalente ao valor do seu salário no início e ao final do mandato, para compensar gastos com a mudança. Somados, o salário e os benefícios de cada deputado chegam a aproximadamente R$ 168,6 mil por mês. Juntos, os 513 deputados custam em média R$ 86 milhões ao mês, e a um custo anual de R$ 1 bilhão.

Nem todos os benefícios dos deputados federais são de natureza monetária. Uma das vantagens do cargo é o direito ao foro privilegiado, um mecanismo que garante ao deputado o direito de ter uma ação penal contra si julgada por tribunais superiores, e não pela justiça comum.

Agência do Trabalho oferece 428 vagas para esta sexta (21)


TV Jornal

Nesta sexta-feira (21), a Agência Estadual do Trabalho de Pernambuco está oferecendo 428 vagas de emprego. Podem se candidatar profissionais de todos os níveis de escolaridade, sem experiência e pessoas com deficiência. As vagas são distribuídas para diversas regiões do Estado.

Clique aqui para verificar o telefone e o endereço de uma Agência do Trabalho mais próxima da sua localidade.
Confira lista completa aqui:



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ato no Marco Zero usa arte para alertar contra feminicídio

Protesto contra Feminicídio no Marco Zero
Foto: Rafael Furtado

Thaísa Jatobá
FolhaPE 

A chuva não impediu um grupo de mulheres de lutar pelo direito de muitas. Sob chuva e vento, um apelo em forma de arte foi feito contra o feminicídio no fim da tarde desta quinta-feira no Marco Zero do Recife. No ato “ Não é crime passional, é feminicídio”, pares de sapatos femininos dispostos no chão lembravam as mulheres que foram mortas em Pernambuco. A representação foi inspirada no movimento mexicano da década de 90, quando dezenas de mulheres foram sequestradas, mortas e violentadas de forma indiscriminada na Cidad de Juaréz. 

Para os turistas que visitavam um dos principais pontos turísticos do Recife, a luta era clara e precisava ser ouvida. O Nordeste lidera o ranking de crimes contra mulheres no país, uma realidade vivida pelas que convivem com maridos, namorados e homens que não têm medo da justiça. 

“Essas mulheres (que morreram) não são apenas números, são pessoas que tinham sonhos, queriam uma família, ou não, mas eram vidas” afirma a militante Camila Fernandes, de 37 anos. 

O dia do ato foi escolhido propositalmente - 20 de julho marca os dois anos do primeiro crime julgado como feminicídio no Estado. O caso de Aldenice Amara de Souza, que foi morta a tijoladas por um homem com quem já havia se relacionado, foi um marco para a luta contra essa violência.

De acordo com a lei º 13.104/2015, feminicídio é o crime praticado contra a mulher por razões da condição de gênero. O crime pode ocorrer nas hipóteses de violência doméstica e familiar ou quando há menosprezo ou discriminação à condição da mulher. 

O ato divulgou o abaixo assinado que está sendo encaminhado ao Governo do Estado para incluir o subtítulo Feminicídio no registro da ocorrência em Pernambuco. A petição já possui cerca de 2.500 assinaturas e tem como “meta” 5 mil. Camila ainda afirma que as assinaturas são importantes para que o governador comece a enxergar esse problema “Não sabemos quantas de nós vão ter que morrer para que ele entenda”. 

Feminicídio em Pernambuco

De acordo com organizações, somente no mês de maio, 2.674 mulheres sofreram violência doméstica, o que representa uma média de 86,2 vítimas por dia. No entanto, sem o subtítulo, não é possível precisar quantos registros de feminicídio existem em Pernambuco, segundo Camila Fernandes.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social informou que, de janeiro a junho de 2017, 161 mulheres foram assassinadas em Pernambuco. A pasta disse que "tem trabalhado intensamente, por meio de suas operativas, para proteger as mulheres de Pernambuco, prevenindo crimes e prendendo os responsáveis".

Charge do Mariano - A Charge Online


Ex-secretária de finanças de Carpina é presa por desvio de dinheiro

Klécia do Moinho teria cometido os crimes enquanto era secretária da Prefeitura de Carpina
Foto: Reprodução/Google Street View

JC Online

A ex-secretária de finanças da Prefeitura de Carpina, Klécia Maria da Silva, conhecida como Klécia do Moinho, foi presa na manhã desta quarta-feira (20). A prisão foi realizada através de mandado de prisão, expedido pela Comarca de Justiça de Carpina. Ela foi presa em sua residência, na cidade de Lagoa de Itaenga. Klécia foi apresentada na delegacia do município de Carpina, e em seguida foi recolhida para a Penitenciária Feminina de Buíque, no agreste.

Acusada de peculato e associação criminosa, Klécia foi alvo da Operação Fraus, realizada no mês passado. A operação tem como objetivo cumprir mandados de fraudes em licitações, falsidade ideológica, peculato, corrupção e associação criminosa contra ex-gestores das cidades de Carpina e Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte do estado. 

Klécia foi apresentada na delegacia do município de Carpina, e em seguida foi recolhida para a Penitenciária Feminina de Buíque, no agreste.

Esquema

Faziam parte do esquema criminoso o irmão de Klécia, o ex-prefeito de Carpina, Carlinhos do Moinho (PSB), e o vereador Tota Barreto (PSB). Segundo a polícia, eles realizavam o pagamento de funcionários fantasmas, desviando milhões dos cofres públicos. De acordo com o delegado titular da 45ª DP, Diego Pinheiro, o grupo teria desviado mais de R$ 100 mil no esquema.

Três pernambucanos vencem na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira

Lenine
Foto: Divulgação
Folha-PE

Três pernambucanos venceram na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira, cuja cerimônia aconteceu na noite desta quarta-feira (19), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Alceu Valença, Zé Manoel e Lenine saíram vitoriosos num dos eventos de maior prestígio da música brasileira. Este ano, Ney Matogrosso foi o grande homenageado, em performances que promoveram uma mistura de gerações e gêneros.

Lenine ganhou na categoria melhor álbum de MPB com "The bridge", feito em parceria com Martin Fondse Orchestra. Os concorrentes eram "Abraçar e agradecer", de Maria Bethânia, e “Batom bacaba", de Patricia Bastos. O artista ganhou também na categoria melhor cantor de MPB. Ele disputava com o conterrâneo João Fenix ("De volta ao começo") e Vidal Assis ("Álbum de retratos").

Na categoria Regional, Alceu Valença venceu como melhor cantor com o álbum "Vivo! Revivo!". Alberto Salgado ("Cabaça d'água") e Raymundo Sodré ("Os girassóis de Van Gogh") eram os concorrentes.

Já o álbum "Delírio de um romance a céu aberto", de Zé Manoel, foi eleito o melhor projeto especial. "A luneta do tempo", de Alceu Valença, e "Irineu de Ameida e o oficleide 100 anos depois", feito por vários artistas.

O prêmio foi lançado em 1988 e, além de celebrar grandes nomes da música brasileira, abre espaço para artistas iniciantes e com expressão de alcance regional. Ao todo, 79 artistas concorreram em 35 categorias da premiação.
A cerimônia foi conduzida pela dupla Maitê Proença e Zélia Duncan. Estiveram no palco, além do próprio homenageado, artistas como Karol Conka, Ivete Sangalo, Lenine, Pedro Luís, BaianaSystem, Alice Caymmi e Laila Garin.

Estudantes criam máquinas para alimentar animais de rua em Abreu e Lima

Alimentador de cães
Foto: Alyne Pinheiro/SEE/Divulgação

Anna Tenório 
Folha-PE

Com o intuito de ajudar animais de rua abandonados, a turma do nono ano da escola General Abreu e Lima - em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife - , desenvolveu máquinas de ração recicláveis para alimentar cães. A ideia, que começou ainda no final do ano passado, em 2017 ganhou continuidade com a nova turma de concluintes. O projeto “Pet Food” é coordenado pelo professor Isaías de Oliveira. “Era uma ideia muito boa e precisava ser continuada. A sensibilização dos alunos não é só para a questão do abandono, mas é um ensinamento para a comunidade inteira”, contou o professor. 

O projeto consiste na construção de máquinas de ração. Os próprios alunos participaram da confecção desses equipamentos. As máquinas foram fabricadas usando materiais recicláveis, como canos, recipientes plásticos, saleiro e cola. Nenhum material precisou ser comprado pelos estudantes. “Não foi gasto nenhum centavo. Eram materiais que se tem em casa mesmo, tudo foi doado e tudo foi reaproveitado”, disse Isaías de Oliveira. Cinco máquinas estão distribuídas pelo Centro da Cidade. 

No final de cada ano letivo das turmas concluintes da rede estadual de ensino, os alunos são orientados a produzir um projeto social. Um dos dos grandes objetivos dessa iniciativa é proporcionar aos alunos do projeto experiências multidisciplinares. A iniciativa promovida por esses alunos já traz resultados práticos à comunidade. “Os animais de rua já se mostram mais tranquilos e dóceis durante os atendimentos”, explicou o professor Isaías.

As rações para os equipamentos são doadas pela própria comunidade. Uma das máquinas chegou a ser adotada por uma das pet shop’s da região. José Victor tem 14 anos e é aluno concluinte da escola. Tendo entrado no projeto em março deste ano, considerou a relevância social do projeto antes de ingressar na turma. “É uma causa muito omitida pela população. Estou feliz em participar. Estamos nos organizando e ajudando os cachorros”, disse Victor.

Como julho é período de férias, os alunos estão se revezando para continuar cuidando dos animais durante este mês. “Todas as semanas a gente se reorganiza. Quem pode ir vai e ajuda. Alguns de nós estão viajando, mas quem tá por aqui sempre se propõe a fazer sua parte”, falou Victor. Também de acordo com o professor, a própria comunidade se dispõe a ajudar. “Além da pet shop que adotou uma das máquinas, a população toda da região tem ajudado bastante com a iniciativa. Eles próprios tiram os equipamentos da chuva, guardam durante a noite repõem água e ração. Estão todos tomando consciência ao mesmo tempo”.