sábado, 10 de dezembro de 2016

Candidato a vereador em PE e esposa são presos suspeitos de estelionato


Casal era investigado por furtos de cartões e estelionato em João Pessoa. Polícia Civil da Paraíba prendeu os dois suspeitos em Paulista, PE.
 G1-PB

Um candidato a vereador na cidade de Paulista, em Pernambuco, e sua esposa, funcionária da prefeitura da cidade, foram presos na tarde de sexta-feira (9) suspeitos de furtar cartões  bancários e de créditos de veículos e utilizá-los em estabelecimentos comerciais em João Pessoa. Segundo informações do delegado Lucas Sá, da Delegacia de Defraudações de João Pessoa, o casal suspeito de estelionato foi descoberto após a mulher ser flagrada em uma imagem de câmera de segurança furtando uma carteira em um carro estacionado em frente a uma escola particular no bairro do Bessa em João Pessoa.
De acordo o delegado Lucas Sá, o casal ainda utilizava um distintivo falso da Polícia Civil de Pernambuco para despistar a polícia e furar barreiras policiais. ”Acreditamos que o casal faça parte de uma organização criminosa, especializada em furtar carteiras de vítimas de alto poder aquisitivo e utilizar os cartões dessas vítimas para realizar grandes transações e compras. A investigação continua em curso e esperamos localizar os demais integrantes”, explicou o delegado.As prisões aconteceram em cumprimento de mandados de prisão preventiva, expedidos pela justiça paraibana. Além dos mandados de prisão, a Polícia Civil da Paraíba cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos suspeitos, no bairro Janga, na cidade de Paulista. No local, a polícia encontrou vários cartões bancários e de créditos de terceiros, cheque em nome de outras pessoas e uma quantia em dinheiro não informada.

Conforme levantamento da polícia, na ação em que a suspeita foi flagrada furtando o carro, no dia 24 de novembro, o casal foi até um supermercado localizado na Avenida Epitácio Pessoa, no mesmos dia, e efetuou uma compra de R$ 8 mil. “Em um espaço de tempo de aproximadamente 25 minutos, os dois conseguiram furtar o cartão e efetuar compras em um valor muito alto”, detalhou o delegado do caso. Em um outro caso, a vítima informou que havia sido lesada em aproximadamente R$ 30 mil.
Suspeita foi flagrada por uma câmera de segurança caminhando com uma carteira furtada (Foto: Divulgação/Lucas Sá/Polícia Civil)Suspeita foi flagrada por uma câmera de segurança caminhando com uma carteira furtada (Foto: Divulgação/Lucas Sá/Polícia Civil)


A agilidade em localizar as vítimas e a rapidez para descobrir as senhas dos cartões indicam a participação de mais pessoas nos crimes, ainda de acordo com a polícia. Segundo o delegado, os alvos da quadrilha são escolhidos de acordo com o poder aquisitivo. Outros membros da organização invadem os carros desses alvos por meio de dispositivos eletrônicos que destravam as portas e roubam os cartões. As informações são repassadas para outros integrantes, que descobrem as senhas para que os cartões sejam utilizados. 

Sobre os dois suspeitos, Lucas Sá explicou que o homem, de 40 anos, foi candidato a vereador na cidade de Paulista e já ocupou o cargo de conselheiro tutelar, enquanto a mulher, de 23 anos, é funcionária pública do quadro da prefeitura da cidade. Ambos foram conduzidos para Central de Polícia Civil em João Pessoa, onde foram ouvidos e aguardam a audiência de custódia, que deve acontecer somente na segunda-feira (12).

Os suspeitos confessaram os crimes, ainda de acordo com a polícia. “Após a audiência, possivelmente devem ser encaminhados para presídios de João Pessoa, por se tratar de um processo da Justiça paraibana”, explicou Lucas Sá. Os dois presos devem responder pelos crimes de furto, estelionato, associação criminosa e receptação, penas que somadas podem chegar até 16 anos de prisão.

Apos furtar carteira, suspeita foi vista fazendo compras em João Pessoa  (Foto: Divulgação/Lucas Sá/Polícia Civil)Apos furtar carteira, suspeita foi vista fazendo compras em João Pessoa (Foto: Divulgação/Lucas Sá/Polícia Civil)

Nome de Temer é citado 43 vezes em delação de executivo da Odebrecht

Michel Temer em visita a Fortaleza na sexta-feira (9)

LETÍCIA CASADO,  RUBENS VALENTE, CAMILA MATTOSO, DÉBORA ÁLVARES
FOLHA DE SÃO PAULO

O nome do presidente Michel Temer aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiadade Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é mencionado 45 vezes e Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, 35.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente, surge em 67 trechos.

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), apontado como o "homem de frente" das negociações da empreiteira no Congresso, tem 105 menções no relato, um arquivo preliminar, ao qual a Folha teve acesso, do que o ex-executivo vai dizer em depoimento às autoridades da Lava Jato.

De acordo com Melo Filho, o presidente Temer atua de forma "indireta" na arrecadação financeira do PMDB, mas teve papel "relevante" em 2014, quando, segundo ele, pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para a campanha eleitoral durante jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Segundo o delator, Temer incumbiu Padilha de operacionalizar pagamentos de campanha. O ministro, diz o ex-executivo, cuidou da distribuição de R$ 4 milhões daqueles R$ 10 milhões: "Foi ele o representante escolhido por Michel Temer –fato que demonstrava a confiança entre os dois–, que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Michel Temer. Este fato deixa claro seu peso político, principalmente quando observado pela ótica do valor do pagamento realizado, na ordem de R$ 4 milhões".

"Chegamos no Palácio do Jaburu e fomos recebidos por Eliseu Padilha. Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades em uma sala à direita de quem entra na residência pela entrada principal. Acredito que esta sala é uma biblioteca", disse o delator, que conta detalhes do jantar.

"Após a chegada de Michel Temer, sentamos na varanda em cadeiras de couro preto, com estrutura de alumínio. No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10 milhões", diz.

"Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião. Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como 'MT'", ressalta o ex-executivo da Odebrecht.

Um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia de José Yunes, atual assessor especial da Presidência da República.

Segundo o delator, "o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha".

O delator disse que foi apresentado a Temer por Geddel em agosto de 2005 na festa de aniversário de seu pai.

Ao se referir ao ministro Padilha, ele afirma que o hoje ministro "atua como verdadeiro preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome", disse Melo Filho.

"Eliseu Padilha concentra as arrecadações financeiras desse núcleo político do PMDB para posteriores repasses internos", afirmou.

A relação entre os quatro caciques peemedebistas é muito forte, segundo o delator, "o que confere peso aos pedidos formulados por eles (ministros), pois se sabe que o pleito solicitado em contrapartida (pela empresa) será atendido também por Michel Temer".

"Geddel Vieira Lima também possui influência dentro do grupo, interagindo com agentes privados para atender seus pleitos em troca de pagamentos", disse o delator.

Melo Filho afirmou que defendia "vigorosamente" as solicitações de pagamento feitas por Geddel junto à Odebrecht "como retribuição" pelo fato de o ex-ministro lhe aproximar das outras lideranças.

Sobre Jucá, ele declarou que um "exemplo" da força dele é "encontrado no fato de que o gabinete do Senador sempre foi concorrido e frequentado por agentes privados interessados na sua atuação estratégica".

Todos os citados têm negado qualquer irregularidade na relação com a Odebrecht.

“Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo”. Veja quem é quem na lista de codinomes da Odebrecht “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo”. Veja quem é quem na lista de codinomes da Odebrecht

Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Romero Jucá e todos os outros citados negam terem recebidos repasses indevidos da Odebrecht

Gabriel Pontes
Congresso em Foco

Em delação premiada à Operação Lava Jato, executivos da empreiteira Odebrecht afirmam ter feito pagamentos a diversos parlamentares e autoridades em geral para que cuidassem dos interesses da empresa no poder público. Para identificar deputados, senadores e demais autoridades, a empresa usava apelidos curiosos como: “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo”. As informações foram divulgadas pelo site Buzzfeed Brasil em matéria dos repórteres Severino Motta e Alexandre Aragão.
De acordo com o material a que o site teve acesso fruto da delação premiada do ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, os seguintes nomes eram usados para disfarçar, em um primeiro momento, as figuras públicas.
Veja a lista:
Caju – Romero Jucá (PMDB-RR). Ex-ministro da Casa Civil de Michel Temer e considerado por Cláudio Melo Filho responsável pela arrecadação de dinheiro no âmbito do PMDB no Senado e posterior distribuição para campanhas eleitorais – oficialmente ou por meio de caixa dois. Em nota, o Jucá afirmou que desconhece a delação do ex-vice-presidente da Odebrecht e nega que recebesse recursos para o PMDB.
Justiça – Renan Calheiros (PMDB-AL). Presidente do Senado Federal é apontado pelo delator como um dos principais articuladores dos interesses da empreiteira na Casa. Ainda segundo informações do Buzzfeed, quem falava em nome de Renan era Romero Jucá.
Em nota, a assessoria da presidência do Senado disse que Renan Calheiros nunca autorizou ou credenciou qualquer pessoa a usar seu nome. Disse ainda que ele jamais recebeu vantagens de quem quer que seja.
Destacou ainda que todas as contas eleitorais e pessoais do senador são regulares e com recursos de origem conhecida.
Índio – Eunício de Oliveira (PMDB-CE). Senador também era representado por Romero Jucá, que, segundo o delator, recebeu R$ 22 milhões em nome de Eunício e Renan Calheiros. O pagamento era para que os senadores garantissem a aprovação de projetos e medidas provisórias de tal forma que os interesse da Odebrecht fossem preservados nas matérias.
Eunício de Oliveira, por sua vez, afirmou que “nunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e jamais recebeu recursos para a aprovação de projetos ou apresentação de emendas legislativas”. Disse ainda que, “a contribuição da Odebrecht, como as demais, fora recebidas e contabilizadas de acordo com a Lei. E as contas aprovadas pela Justiça eleitoral”.
Babel – Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Exonerado da Secretaria de Governo de Michel Temer há duas semanas após envolver o governo em uma crise. Ele teria recebido R$ 1,5 milhão do esquema. O delator, baiano como o ex-ministro, apresentou como prova de seu relacionamento com Geddel mais de 100 ligações registradas em seu celular.
Bitelo – Lúcio Viera Lima (PMDB-BA). Irmão de Geddel e deputado federal também é citado na delação. Segundo o ex-diretor da Odebrecht, Lúcio, para não atrapalhar a aprovação de uma medida provisória de interessa da Odebrecht, recebeu entre R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. Segundo o deputado, “todas as doações foram declaradas”.
Primo – Eliseu Padilha (PMDB-RS). Ministro da Casa Civil centralizava arrecadações para Temer, então candidato à reeleição à vice-presidente nas eleições de 2014. De acordo com o delator, Padilha atua como verdadeiro “preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome”. O ministro Eliseu Padilha lembrou que não foi candidato a cargos eleitorais em 2014 e afirmou que jamais discutiu arrecadação com quem quer que seja.
Angorá – Moreira Franco (PMDB-RJ). Secretário especial de governo também seria responsável por arrecadar verba para Temer, porém, valores menores do que Eliseu Padilha. Moreira Franco disse que a delação é mentirosa e que jamais falou sobre política ou sobre doações para o PMDB com Cláudio Melo Filho. O ministro Eliseu Padilha lembrou que não foi candidato a cargos eleitorais em 2014 e afirmou que jamais discutiu arrecadação com quem quer que seja.
Caranguejo – Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, segundo o delator, recebeu R$ 7 milhões para auxiliar nas pautas de interesse da empreiteira na Câmara dos Deputados.
Polo – Jacques Wagner (PT-BA). Ex-ministro de Dilma e ex-governador da Bahia, Jacques recebeu ainda um relógio Hublot modelo Oscar Niemeyer que custa cerca de R$ 80 mil. Segundo o delator, o político foi beneficiado com diversos pagamentos. Somente em 2010 o delator diz que lhe foram destinados cerca de R$ 9,5 milhões.
Ferrari – Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Senador cassado recebeu, após a aprovação de um projeto no Senado sobre alíquotas de ICMS, recebeu R$ 500 mil.
Botafogo – Rodrigo Maia (DEM-RJ). Atual presidente da Câmara dos Deputados foi citado por Melo Filho como o destinatário de R$ 100 mil enviados pela Odebrecht.
Las Vegas – Anderson Dornelles. Fiel assessor de Dilma Rousseff aparece na delação de Melo Filho como destinatário de mesada de R$ 50 mil da empreiteira.
Campari – Gim Argello (PTB-DF). Segundo Melo Filho, ex-senador atualmente preso pela Lava Jato recebeu R$ 1,5 milhão em espécie.
Cerrado, Pequi ou Helicóptero – Ciro Nogueira (PP-PI). Senador recebeu R$ 1,6 milhão da empreiteira, segundo Melo Filho.
Pino ou Gripado – José Agripino Maia (DEM-RN). Senador aparece como sendo beneficiário de R$ 1 milhão que lhe teriam sido destinados pela Odebrecht após pedidos de Aécio Neves. Em nota, Agripino afirmou que desconhece a delação. Aécio Neves ainda não se pronunciou.
Todo Feio – Inaldo Leitão. Ex-deputado teria recebido R$ 100 mil.
Corredor – Duarte Nogueira (PSDB-SP). Prefeito eleito de Ribeirão preto é citado como beneficiário de R$ 350 mil no sistema que a Odebrecht usava para controlar pagamentos não contabilizados.
Gremista – Marco Maia (PT-RS). Deputado aparece em um episódio narrado por Cláudio Melo Filho a investigadores em sua proposta de delação premiada. De acordo com o Buzzfeed, o delator diz que conheceu Maia numa viagem a Nova York em 2011. Os dois se reencontraram algumas vezes até que, em 2014, o deputado lhe pediu ajuda para a campanha. Segundo Melo Filho, dois pagamentos foram feitos ao deputado, somando R$ 1,35 milhão. Maia ainda não se pronunciou sobre as acusações.
Tuca – Arthur Maia (PPS-BA). Deputado aparece como beneficiário de R$ 600 mil. Em sua defesa, diz que doação foi “conforme a legislação”. De acordo com Maia, os valores recebidos à época foram “depositados em conta corrente de campanha, aberta com CNPJ específico para minha candidatura à Deputado Federal”.
Misericórdia – Antônio Brito (PSD-BA). Deputado federal teria recebido R$ 100 mil.
Decrépito – Paes Landim (PTB-PI). Deputado também figura na lista e teria recebido R$ 100 mil em 2010.

Arthur Virgílio, prefeito de Manaus, figura na lista da Odebrecht como "Kimono"

Boca Mole – Heráclito Fortes (PSB-PI). Deputado federal recebeu, segundo o delator, R$ 200 mil em 2010.
Kimono – Arthur Virgílio (PSDB-AM). Prefeito reeleito de Manaus teria recebido em 2010, R$ 300 mil da Odebrecht.
Missa – José Carlos Aleluia (DEM-BA). Recebeu, segundo Melo Filho, R$ 300 mil da Odebrecht. O deputado, porém, nega recebimento irregular de qualquer valor e diz que qualquer pessoa pode acessar sua prestação de conta na internet.
Feia – Lídice da Mata (PSB-BA). Senadora consta na planilha como beneficiária de R$ 200 mil.
Velhinho – Francisco Dornelles (PP). Ex-deputado e atual vice-governador do Rio de Janeiro, aos 81 anos, teria recebido R$ 200 mil.
Como é praxe, o Congresso em Foco espera a manifestação dos demais mencionados na delação de Cláudio Melo Filho para a publicação no site, a qualquer tempo.

'É urgente o esclarecimento', diz OAB sobre denúncias contra Temer

O presidente Michel Temer divulgou uma nota à imprensa na noite desta sexta-feira para rechaçar as supostas informações da delação
Foto: Fotos Públicas

Estadão 

A Ordem dos Advogados do Brasil declarou nesta sexta-feira, 9, que 'a sociedade precisa saber se os recursos transferidos são legítimos ou fruto de propina', em referência às denúncias veiculadas pela revista Veja e pelo site BuzzFeed de que a empreiteira Odebrecht teria repassado R$ 10 milhões em espécie para o presidente Michel Temer (PMDB), em 2014.
"É absolutamente necessário e urgente o esclarecimento a respeito dos repasses feitos pela Odebrecht aos partidos e autoridades públicas, inclusive ao presidente da República", defendeu o presidente da entidade máxima da Advocacia Claudio Lamachia.

"As notícias veiculadas pela imprensa sobre diversas autoridades precisam ser apuradas com urgência para que a população não fique refém da incerteza e para que o país possa superar rapidamente os problemas que enfrenta", recomenda Lamachia.

BuzzFeed e Veja revelaram nesta sexta-feira, 9, que o executivo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, afirmou em delação premiada que distribuiu propinas a deputados, senadores e governadores.

A reportagem confirmou que Temer teve dois encontros com o empresário Marcelo Odebrecht, em 2014. Uma das reuniões foi um jantar entre o então vice-presidente, Odebrecht e o hoje ministro chefe da Casa Civil Eliseu Padilha no Palácio do Jaburu

Em outro encontro, em São Paulo, Temer estaria acompanhado de seu colega de partido Henrique Alves. Ambos, segundo a delação, pediram dinheiro a executivos da empreiteira, em troca de uma obra.

A revista informou que teve acesso à íntegra dos anexos da delação de Melo Filho, que trabalhou por doze anos como diretor de Relações Institucionais da Odebrecht.

O delator teria afirmado que os R$ 10 milhões foram pagos em dinheiro vivo ao braço direito do presidente, o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. O dinheiro também teria sido repassado ao assessor especial do peemedebista, José Yunes, seu amigo há 50 anos.

Na avaliação do presidente da OAB, 'a sociedade precisa saber se os recursos transferidos são legítimos ou fruto de propina'.

"No momento em que o governo pede mais sacrifícios à população para enfrentar a crise econômica, não podem pairar dúvidas acerca da integridade moral dos que comandam as instituições."

"Acompanho com atenção os desdobramentos desses fatos para que a OAB possa cumprir com rigor sua função de defender os interesses da sociedade e o cumprimento da Constituição", destacou Lamachia "Se necessário, a OAB usará de suas prerrogativas constitucionais para fazer valer os interesses da cidadania."

Nota

O presidente Michel Temer divulgou uma nota à imprensa na noite desta sexta-feira para rechaçar as supostas informações da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. "O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho", diz a nota. "As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente", completa.

Dia Dos Direitos Humanos - 10 de Dezembro


Resenha Política: greve da PM, IPVA, visita de Temer e permanência de Renan no Senado

Blog do Jamildo

No Resenha Política desta sexta-feira (9), a permanência de Renan na presidência do Senado depois de uma decisão polêmica do Supremo Tribunal Federal (STF), a visita do presidente Temer ao Nordeste, a possibilidade de greve da Polícia Militar e a antecipação do IPVA em Pernambuco primeiro para janeiro e depois para fevereiro.



Raquel conhece modelo de educação integral de Arcoverde

Blog da Folha

A prefeita eleita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), esteve nesta quinta-feira (8) em Arcoverde, no Sertão do Estado. Raquel se reuniu com a prefeita Madalena Brito (PSB), com o presidente do IQE, Marcos Magalhães, e com a equipe da Secretaria de Educação do município. O município melhorou seus índices no Ideb, atingindo a meta prevista para 2021. 

Na ocasião, foi apresentado o projeto de implantação do Sistema de Ensino Integral na rede municipal. A prefeita eleita visitou as duas escolas integrais: Ivani Bradley e Jonas Freitas, para conhecer o funcionamento e ouvir os depoimentos de professores e alunos. 

“Nós queremos transformar Caruaru pela educação e um sistema de ensino integral eficiente é fundamental para isso”, comentou Raquel.

Dilma pediu à Odebrecht R$ 4 milhões para Gleisi, diz revista

Blog da Folha

A delação de funcionários da Odebrecht, que teve seu acordo assinado nesta semana, já começa a atingir em cheio os principais atores políticos do País. De acordo com a Revista Isto É, o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, afirmou que a empresa fez um repasse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-MG) no valor de R$ 4 milhões. O pedido de transferência teria sido feito pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). 

Segundo a revista, a senadora petista pediu ajuda a Dilma para pagar suas dívidas ao marqueteiro de sua campanha ao governo do Paraná em 2014, Domingos Marques Neto. A ex-presidenta teria conversado com o tesoureiro da sua campanha para Presidência da República em 2014, Edinho Silva. Este entrou em contato com executivos da Odebrecht para solicitar o valor. 

Na empreiteira, quem ajudou diretamente na transferência do recurso foi um dos responsáveis pelo setor de Operações Estruturadas, Fernando Migliaccio da Silva. O funcionário realizou o serviço a pedido do próprio Marcelo Odebrecht. 

Ainda de acordo com a Revista, Fernando Migliaccio entrou em contato com Domingos Marques Neto. Este enviou seu sócio Bruno Martins Gonçalves Ferreira para uma reunião com o chefe do gabinete de Gleise, Leones Dall’ Agnol e o próprio Domingos Marques. Foi nesse encontro que os repasses começaram a serem feitos.

Em nota, Antônio Campos diz que não vai dar autorização para Assembleia Legislativa fazer livro sobre Arraes

Blog do Jamildo

Veja a nota oficial do Instituto Miguel Arraes (IMA)

Com referência a matéria publicada no Blog do Jamildo, “Sem crise, Assembleia Legislativa vai gastar 1,7 milhões com 8 mil livros em homenagem a Arraes”, temos a afirmar o seguinte:

1- tomamos conhecimento pela imprensa do valor que se pretende despender com a referida homenagem e achamos inoportuna pelo momento de grave crise que vive o Brasil, Pernambuco e a grande seca que assola o Nordeste.

2- o IMA, que detém os direitos sobre a imagem e a obra de Arraes, estará oficiando à Assembléia Legislativa que não autoriza a utilização da imagem de Arraes nesse projeto visivelmente superdimensionado, com a realidade do momento.

3- Miguel Arraes foi um homem que pautou sua vida pela simplicidade e um de seus pedidos aos seus familiares, quando doente, é que sua lápide fosse simples. E assim foi feita a sua vontade pela família, quando em seu túmulo consta apenas uma placa com seu obituário, onde consta versos do poeta Drumonnd: tenho apenas duas mãos e o sentimento do Mundo. 

9 de dezembro de 2016.

Instituto Miguel Arraes

Antônio Campos 
Presidente do Conselho Deliberativo

Pior não fica? Mas para Michel Temer, ficou… - Carlos Chagas

Do jeito que as coisas vão, Michel Temer não completa o seu mandato. Nenhum presidente da República tem sido tão humilhado como ele. Com todo o respeito, mas S. Exa. acaba de perder o próprio, com o recuo da nomeação de Antônio Imbassay para ministro da Articulação Política (ou secretário de Governo). Partidos grandes e pequenos tripudiam sobre sua figura, tanto quanto o Senado humilhou o Supremo Tribunal Federal.

Só falta o Congresso aprovar o impeachment de Michel, por total ausência de condições para governar o país. Determinação e firmeza são produtos em falta nas prateleiras do palácio do Planalto.

Pode até o ex-futuro ministro ser outra vez reconvocado, na próxima semana. Mesmo assim, não adiantará nada. Já se ouve nos corredores parlamentares que apenas novas eleições diretas resolveriam, ainda que deputados e senadores tenham até o dia 31 para tomar a decisão. Depois, as eleições presidenciais teriam de ser indiretas, pelo Congresso. Mas o melhor, mesmo, seria o eleitorado escolher todos os cargos eletivos, proibidas as reeleições.

O presidente, mesmo tentando contemporizar, não encontra parlamentares e partidos para respaldá-lo. Muito menos a opinião pública e a opinião publicada. Começam a aparecer pseudo-candidatos para sucedê-lo, de Fernando Henrique a Nelson Jobim, sem esquecer Renan Calheiros.

Há que poupar Michel Temer, mas apenas com sua dispensa. Não transcorre uma semana sem que a lambança fique pior. Até a fugaz confiança em Henrique Meirelles virou pó. Um murro na mesa resolveria a questão, ainda que se ignore o punho capaz de vibrá-lo. Do PMDB ao PSDB e ao Centrão, ninguém se entende.

Temer pediu R$ 10 milhões a Odebrecht, diz executivo

Michel Temer. Foto: Evaristo de Sá/AFP

Estadão

O presidente Michel Temer (PMDB) pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014, segundo o site BuzzFeed e a Revista Veja. A informação estaria na delação do executivo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, um dos 77 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato.

O Estado confirmou que Temer teve dois encontros com Odebrecht. Uma das reuniões foi um jantar entre o então vice-presidente, Marcelo Odebrecht e o hoje ministro chefe da Casa Civil Eliseu Padilha no Palácio do Jaburu.

Em outro encontro, em São Paulo, Temer estaria acompanhado de seu colega de partido Henrique Alves. Ambos, segundo a delação, pediram dinheiro a executivos da empreiteira, em troca de uma obra.

A revista informou nesta sexta-feira, 9, que teve acesso à íntegra dos anexos da delação de Melo Filho, que trabalhou por doze anos como diretor de Relações Institucionais da Odebrecht.

Em 82 páginas, o executivo contou como a maior empreiteira do país comprou, com propinas milionárias, integrantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo.

Segundo o delator, os R$ 10 milhões foram pagos em dinheiro vivo ao braço direito do presidente, o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. O dinheiro também teria sido repassado ao assessor especial do peemedebista, José Yunes, seu amigo há 50 anos.

Segundo a revista, deputados, senadores, ministros, ex-ministros e assessores da ex-presidente Dilma Rousseff também receberam propina. A distribuição de dinheiro ilícito teria alcançado integrantes de quase todos os partidos.

O delator apresentou e-mail, planilhas e extratos telefônicos para provar suas afirmações. Uma das mensagens mostra Marcelo Odebrecht, o dono da empresa, combinando o pagamentos a políticos importantes, identificados por valores e apelidos como “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo” e “Botafogo”.

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que não vai comentar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

09 de dezembro: Dia contra a corrupção

Observatório Social do Brasil

Nesta sexta-feira (9) é celebrado o Dia Internacional Contra a Corrupção. A data foi instituída em 2003 quando foi assinada a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, em que o Brasil e mais 101 países decidiram fortalecer a cooperação internacional, com o objetivo de ampliar o combate à corrupção. Esse acordo foi feito num evento da ONU em Mérida, no México.

A data rende, anualmente, programações alusivas à prevenção e combate a corrupção em todo o país, principalmente pelo assunto estar sendo debatido cada vez mais na sociedade.

A Rede Observatório Social do Brasil (Rede OSB) dedica seu trabalho incansável à prevenção deste mal que assola sociedades mundiais e que, no Brasil, é responsável por uma desigualdade social nefasta.

Cabe a cada um dos brasileiros, que ama seu país verdadeiramente, realizar, repercutir e disseminar boas ações de prevenção e combate à corrupção.

Presidente e vice da Associação de Cabos e Soldados são presos durante assembleia

Presidente da ACS foi preso administrativamente
Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco

Folha-PE

Dois representantes da Polícia Militar foram presos na tarde desta sexta-feira (9) durante a assembleia da categoria na área da praça do Derby - no bairro de mesmo nome, na região central do Recife. Ainda na concentração, policiais militares prenderam "por crime militar" - segundo o Governo de Pernambuco - o presidente e vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco (ACS-PE), Albérisson Carlos e Nadelson Leite, respectivamente. Em nota divulgada cerca de duas horas após a detenção, o Governo de Pernambuco informou que os PMs desafiaram o Poder Judiciário.

A prisão aconteceu quando Albérisson discursava, no carro de som utilizado no movimento. Agentes do Quartel do Derby fizeram a prisão e os policiais que estavam no ato reagiram com gritos contra a detenção. Participam do ato a Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados Policiais e Bombeiros Militares (ACS), Associação de Praças dos Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco (Aspra-PE), Associação de Bombeiros Militares de Pernambuco (ABM-PE) e Associação dos Militares Estaduais (AME).

"Esse posicionamento da Justiça é compreensível e aceitável, mas pode ser contestado. O Governo do Estado não deveria dar essa condução porque isso é muito ruim para o estado democrático de direito. Albérisson foi preso sem nem ter deliberado greve", comentou o deputado Joel da Harpa, presente no ato. "Os policiais e bombeiros militares estão aqui desarmados e em um movimento reivindicatório. De uma forma arbitrária, parecendo que estamos de volta à ditadura militar, o companheiro foi preso."

Gleide Ângelo assume investigação do Caso Beatriz

Delegada Gleide Ângelo
Foto: Jedson Nobre

Folha de Pernambuco

A delegada Gleide Ângelo, da Delegacia de Homicídios de Olinda, assume as investigações do caso da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, que foi brutalmente assassinada em uma festa do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão. Ela presidirá as investigações, que também são reforçadas pelos delegados Alfredo Jorge e Marceone Ferreira. O inquérito está com o Ministério Público de Pernambuco.

A portaria foi assinada no último dia 7 pelo chefe da Polícia Civil do Estado, Antônio Barros. A delegada Sara Machado iniciou as investigações do caso, mas, dias depois, uma portaria foi assinada designando o delegado Marceone como chefe do caso. No último mês de setembro, a Polícia Civil divulgou imagens que poderiam ser do homem que teria assassinado a garota.

No vídeo, o suspeito aparece nas proximidades do colégio, e depois aparece entrando na quadra onde a festa acontecia. Em seguida, ele segue para o bebedouro, lugar onde Beatriz foi vista pela última vez. A menina foi morta com 40 facadas em 10 de dezembro de 2015.

Foto de Moro e Aécio rindo juntos eletriza as redes em pleno caos no país

Gil Alessi
El País

Sérgio Moro, que nas manifestações tingidas de verde e amarelo já ganhou a alcunha de Super-Moro, agora é o Brasileiro do Ano na Justiça. Na noite de terça-feira ele recebeu o prêmio da revista Istoé, em cerimônia realizada em São Paulo. Não foi a primeira honraria concedida ao magistrado de primeira instância, responsável pelos processos da Operação Lava Jato que tramitam em Curitiba. Mas talvez tenha sido a mais polêmica: em certo momento, o juiz foi fotografado conversando animadamente com o senador tucano Aécio Neves (PSDB), sorrisos estampados na face. Completam o retrato, sentados à frente dos dois, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin e o presidente Michel Temer. E tudo isso em meio ao caos institucional que se instaurou em Brasília com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) desafiando o Supremo Tribunal Federal.
Nas redes sociais a imagem viralizou, e deu munição para aqueles que criticam a Lava Jato e Moro por não investigarem os escândalos tucanos com o rigor dedicado aos crimes de petistas. Aécio, por exemplo, foi citado em delações de executivos da Odebrecht e da OAS, além de ter seu nome envolvido em escândalos como o de Furnas. Em um grampo telefônico divulgado pela Justiça, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado chegou a afirmar que caso a Lava Jato continuasse avançando "o primeiro a ser comido vai ser o Aécio". Em todos os casos ele alega inocência, e os processos se arrastam no Judiciário. Não ajudou a causa do juiz o fato de logo à sua frente estar sentado Temer, cujo partido, repleto de políticos na mira da Justiça, é um dos maiores interessados em desmantelar a investigação comandada pelo juiz. Ou nas palavras do peemedebista Romero Jucá, “estancar essa sangria”.

O PMDB do presidente também foi um dos partidos que patrocinou – ao lado de PT, PSDB e outros – o desmantelamento do projeto das Dez Medidas Contra a corrupção, patrocinado pelo Ministério Público Federal. E pela inserção no pacote de uma medida que prevê punição a juízes, promotores e procuradores que cometam “abuso de autoridade”. Aécio foi um dos senadores que teria articulado pela urgência na votação do projeto do Senado, segundo notícias de bastidores dos principais jornais do país. O projeto acabou não vingando. A manobra fez com que a força-tarefa da Lava Jato ameaçasse renunciar coletivamente caso o pacote fosse aprovado nestes moldes, e o próprio Moro criticou as alterações. Presentes na cerimônia, mas ausentes na polêmica foto, também estavam o chanceler José Serra (PSDB), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSDB), e o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB).

Uma foto ao lado de Doria tirada no início do ano em um evento de empresários organizado pelo tucano também deu origem a especulações e acusações de que o juiz estaria muito à vontade ao lado de políticos do PSDB. A Moro lhe cai a cobraça do provérbio “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Na Justiça, não basta ser sério. É preciso parecer sério.

Odebrecht delata caixa 2 em dinheiro vivo para Alckmin

Bela Megale
Folha de São Paulo

A Odebrecht afirmou no acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato que realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas de 2010 e 2014 do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Executivos da empreiteira mencionam duas pessoas próximas ao governador como intermediárias dos repasses e afirmam que não chegaram a discutir o assunto diretamente com Alckmin.

Segundo a delação, R$ 2 milhões em espécie foram repassados ao empresário Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. A entrega do recurso, de acordo com os termos da delação, ocorreu no escritório de Ribeiro, na capital paulista.

Em 2010, o tucano foi eleito no primeiro turno com 50,63% dos votos válidos –o segundo colocado na disputa foi o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT).

Em 2014, o caixa dois para a campanha de reeleição de Alckmin teve como um dos operadores, segundo a empreiteira, o hoje secretário de Planejamento do governo paulista, Marcos Monteiro, político de confiança do governador.

Na época das negociações dos recursos, ele seria chamado de "MM" pelos funcionários da Odebrecht. A Folha não obteve os valores que teriam sido pagos na campanha para a reeleição.

Alckmin foi reconduzido ao cargo com 57% dos votos, ficando à frente de Paulo Skaf (PMDB), segundo colocado.

Um dos executivos que delataram o caixa dois é Carlos Armando Paschoal, o CAP, ex-diretor da Odebrecht em São Paulo e um dos responsáveis por negociar doações eleitorais para políticos.

Ele faz parte do grupo de 77 funcionários da empreiteira que assinaram há duas semanas um acordo de delação premiada com investigadores da Lava Jato.

CAP, como é conhecido, também fez afirmações sobre o suposto repasse, revelado pela Folha, de R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial de 2010 do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB).

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam que não há doações diretas da Odebrecht à conta da candidatura de Alckmin em 2010 e 2014.

O tribunal registra, em 2010, apenas uma doação oficial de R$ 100 mil da Braskem, braço petroquímico da empreiteira, à direção do PSDB em São Paulo.

No ano de 2014, foi informada uma doação de R$ 200 mil da mesma empresa ao comitê financeiro da campanha a governador. Esse recurso foi repassado pelo comitê à conta da candidatura do tucano.

O codinome de Alckmin nas listas de propina e caixa dois da empreiteira era "santo", segundo informação publicada pela revista "Veja" recentemente.

O apelido aparecia associado nas planilhas da Odebrecht apreendidas pela Polícia Federal à duplicação da rodovia Mogi-Dutra, uma obra do governo Alckmin de 2002. A palavra "apóstolo", escrita originalmente na página, foi rasurada e trocada por "santo".

O mesmo codinome é citado em e-mail de 2004, enviado por Marcio Pelegrino, executivo da Odebrecht que gerenciou a construção da linha 4-Amarela do Metrô, na capital paulista.

Na mensagem, Pelegrino diz que era preciso fazer um repasse de R$ 500 mil para a campanha "com vistas a nossos interesses locais". O executivo afirma que o beneficiário do suposto suborno era o "santo".