quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Orla do Recife sem segurança para o verão

Moema França e Priscilla Costa, da Folha de Pernambuco

Após o desfecho trágico do feriado de Nossa Senhora Aparecida na praia do Pina, Zona Sul do Recife, em que pai e filho morreram afogados, os postos dos bombeiros da orla passaram por uma fiscalização e o que a Associação de Praças Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco (Aspra-PE) encontrou está longe do ideal. A vistoria realizada em nove dos 11 postos constatou que dois deles estavam sem salva-vidas, quando cada um deveria ter no mínimo dois bombeiros. Em relação aos equipamentos usados em casos de afogamentos, só um posto, o 5, tinha o kit salva-vidas. As macas de resgate e outros materiais dos postos estavam desgastados. O problema se agrava principalmente na abertura do verão, em que a quantidade de banhistas aumenta. 

A vistoria foi feita entre a Pracinha de Boa Viagem e Brasília Teimosa pelos diretores da Aspra. O relatório será encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco na próxima semana. A Folha de Pernambuco esteve na orla e ouviu banhistas, que consideram uma raridade ver salva-vidas. “Dizem que oferecem o serviço. Mas se a gente precisar só encontra fechado. Não tem sinalização, nem bandeira”, disse a diarista Lindiomar Farias.

A falta de efetivo parece mais grave em contraste com a distância de um quilômetro entre um posto e outro. “Quando um posto não funciona, são dois quilômetros sem cobertura. Vimos que não tem ambulância do próprio Grupamento de Bombeiros Marítimo. As boias de salva-vidas são todas precárias”, afirma José Roberto. Segundo o diretor, muitas das boias estavam sem corda (o material dá condição para sustentar até três pessoas) e as vestimentas dos bombeiros estavam desgastadas, sem proteção ultravioleta. Ele é bombeiro há 30 anos e afirma que há pelo menos três que a situação da orla recifense é crítica, destacando que a população é que sai prejudicada.

Prejuízo além do material, pelo menos para a família do auxiliar de serviços gerais Genilson Lucas de Morais, 49 anos, e seu filho Genilson Lucas Ramos de Morais, 20, vitimas fatais do afogamento. “Quando os bombeiros chegaram lá, não tinha equipamento e meu pai passou de 30 a 45 minutos vivo ainda, respirando. Se tivesse mais gente trabalhando, poderia ter dado suporte, meu pai teria sobrevivido”, diz Denilson Lucas Gomes de Morais, o outro filho de Genilson. A Folha procurou o Corpo de Bombeiros, mas até o fechamento desta edição não teve resposta. A família das vítimas fará um protesto na sexta e no sábado, no local onde o acidente aconteceu, para cobrar a presença de guarda-vidas.

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