domingo, 6 de novembro de 2016

E quem teve o Enem adiado, como fica?

Eva Rozental, do São Luís, diz que é preciso manter ritmo. André Cardozo, 17, se preocupa com acúmulo de conteúdo do Enem e do SSA/UPE Foto: Alfeu Tavares

Moema França
Folha-PE

Enquanto 430.684 candidatos fazem o segundo dia de prova do Enem hoje, em Pernambuco, 16.635 inscritos terão mais um mês de estudo, o que não estava previsto na grade curricular de colégios e cursinhos. O que não adianta para os estudantes, porém, é achar que vai dar tempo de entender novos assuntos nesse período. O ideal, segundo os professores do Colégio São Luís, é revisar disciplinas e exercitar com questões no estilo da avaliação. No São Luís, pelo menos 25 estudantes devem fazer a avaliação nos dias 3 e 4 de dezembro.

“A vantagem é que terá mais uma prova pra treinar, mais tempo pra estudar, mais tempo pra trazer o assunto que está mais fraco e colocar num nível mais alto”, afirma o professor Rodrigo Cunha, de Física. Por outro lado, driblar o estresse emocional para focar no cronograma de estudo é o alvo de reclamações dos candidatos. “Quem está se preparando num nível muito pesado já está mais cansado. Quando chega perto da prova, o estudante cria uma expectativa, aumenta adrenalina e medo. Com o adiamento, ele vai passar por isso duas vezes, é como se o primeiro momento de ansiedade não tivesse servido de nada. Ele vai ter que ter paciência para esfriar tudo de novo e preparar o corpo novamente”, explica.

O dilema do aluno André Cardozo, 17, é a divisão de horários para estudar para a prova da UPE e Enem ao mesmo tempo. “Estudo de manhã para a UPE e vou até a madrugada estudando para o Enem, tá sendo bem cansativo com a mudança”, conta. Ver os amigos que já passaram pelo exame saindo e se divertindo sem uma grade de horários extensa para cumprir torna a espera por dezembro ainda mais demorada, segundo ele.

Com as indefinições sobre a data do Enem por causa das ocupações estudantis em protesto contra PEC 241 (atual PEC 55), a estudante Valentina Vasconcelos, 17 anos, até tentou ingressar na Justiça para adiar totalmente a prova, mas desistiu por causa da proximidade do teste e desgaste emocional que poderia ter. “Eu estava com um advogado já. Muita gente disse que era injusto, já que teríamos mais um mês para estudar. Sendo realista, estamos sem fôlego. Vamos ter que estudar mais e não sei a qualidade desse estudo”, desabafa.

Para Eva Rozental , orientadora educacional do 3º ano do colégio, tirar a tensão e manter o ritmo de antes são fatores que ajudam quem estiver muito abalado. “Aqui estamos com uma turma específica para esses jovens tirarem as dúvidas. O bom é que eles vão ter uma nova prova para revisar.”

Adiamento
Esta não é a primeira vez que o Enem é adiado. Em 2015, por exemplo, chuvas e enchentes em duas cidades de Santa Catarina tiveram cinco locais de provas com data de prova diferente do restante do País. Foram mais de 4,5 mil inscritos afetados com a mudança. O último balanço do Inep, divulgado na sexta, mostrava que o número de inscritos com provas adiadas subiu de 191 mil para 240 mil. O levantamento mostra que, de 16 mil locais selecionados para aplicação do exame, 364 deles (distribuídos em 139 municípios) estavam em uma lista de locais ocupados por estudantes na manhã da sexta. Na terça, quando a pasta anunciou o adiamento, eram 304 locais em 126 municípios.

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