quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Faliu? Rede com mais de 250 farmácias está sem estoque

Jorge Cosme
Leia Já

Falta de remédios importantes, prateleiras de remédios vazias, previsão vaga ou ausente para reposição e insegurança de funcionários. Este é o retrato atual das diversas unidades das farmácias Big Ben, rede que tem mais de 250 estabelecimentos no Norte e no Nordeste do Brasil.

A reportagem do LeiaJá visitou unidades em vários bairros de zonas diferentes do Recife. Em todas, a situação é semelhante. Uma lista de remédios importantes ou mais vendidos está em falta em todas as farmácias – ou estão disponíveis apenas em algumas poucas dosagens. É o caso da Neosaldina, Neosoro, Losartana e Rivotril.

Quando indagados, alguns funcionários disseram que tais remédios sempre são vendidos na Big Ben, mas que acabaram. Em quatro unidades, eles afirmaram não haver previsão para reposição, e em duas outras a resposta é que a previsão é fevereiro de 2017. Alguns funcionários, em reserva, alegaram que a crise havia chegado à empresa.

A suspeita é que a situação da Big Ben esteja relacionada ao processo de venda da marca. As negociações foram divulgadas na revista Valor em junho deste ano. Na época, estava prevista a aquisição da empresa nos dias subsequentes pela Extrafarma, do grupo Ultra. Em novembro, uma nova nota dizia que o grupo continua de olho no mercado farmacêutico e poderia levar a rede Big Ben, da Brasil Pharma.

A situação não é exclusiva de Pernambuco. No Pará, de onde a empresa é originária, as dezenas de farmácias estão com prateleiras vazias e sem reposição do estoque. Os funcionários também não sabem informar o que vai ocorrer. 

O abandono é possível ser observado mesmo na capital Belém, onde a marca chegou a patrocinar o Remo e o Paysandu, maiores times de futebol do Estado, incentivou atividades turísticas e culturais, distribuiu verbas publicitárias em diversas plataformas.

Isso colocou a família Aguilera, fundadora da rede, entre as mais conhecidas e ricas do Estado. O crescimento na cidade chegou a ser tanto que a empresa virou uma espécie de pequeno shopping center, com venda de produtos diversos e praça de alimentação. 

A reportagem tentou contato com a assessoria da Big Ben, mas até para isso encontrou dificuldade. A Scritta Comunicação, que faz a assessoria da Brasil Pharma, disse que não trabalha mais com a Big Ben. A nova assessoria, que disse trabalhar isoladamente com a Big Ben e não com um grupo, estava com a assessora responsável em recesso. O LeiaJá também tentou contato com Roger Aguilera, filho do fundador e que já esteve envolvido com o marketing da rede, mas ele não atendeu aos telefonemas.

Com colaboração de Antônio Carlos, do Leia Já Pará

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