terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pernambuco alerta para notificação imediata de casos da doença que deixa urina escura

Urina escura foi o sintoma apresentado por quase metade (47,7%) dos casos da Bahia (Foto: Wikimedia Commons)

NE 10

O Estado de Pernambuco emitiu um alerta às unidades de saúde para notificação imediata de pacientes que apresentem sintomas semelhantes aos da doença de causa desconhecida, registrada na Bahia e no Ceará, que causa dor muscular intensa (mialgia aguda) e deixa a urina escura. Segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco, atualmente não há ocorrência da doença no Estado.
A recomendação é que os serviços locais notifiquem de forma imediata (em até 24 horas a partir da suspeita inicial) casos de dor muscular intensa com aparecimento súbito, sem causa aparente identificada e com níveis elevados de enzimas musculares. Ainda se sugere observar a urina, que se apresentou escura em quase metade (47,7%) dos casos da Bahia.

“Ainda não sabemos a causa da mialgia, mas estamos investigando quatro hipóteses: vírus, bactéria, contaminação alimentar por metais pesados e por toxinas”, diz a enfermeira sanitarista Ita de Cácia Aguiar, superintendente de Vigilância e Proteção à Saúde da Bahia. Ela informa que, até a segunda-feira (16), foram notificados 52 casos suspeitos de mialgia aguda (50 deles em Salvador). “Entre eles, 46 tiveram evolução boa e alta hospitalar. Desses, um teve insuficiência renal, mas recebeu tratamento e ficou bem. Há quatro casos que estamos analisando ainda porque foram os últimos a ser notificados”, informa Ita.

Dos 52 casos, dois foram a óbito, mas as autoridades de saúde investigam a causa principal da morte. “Um dos pacientes apresentava cardiopatia e o outro tinha suspeita de infarto.” Todos os casos, segundo a Secretaria de Saúde da Bahia, ocorreram em dezembro. Já no Estado do Ceará, até o último dia 10, foram notificados três casos suspeitos de mialgia aguda.

Na Bahia, a maioria dos pacientes consumiu peixe, mas oito não consumiram o alimento (ou não se lembram). “Por isso, estamos analisando outras hipóteses. Encaminhamos amostras de peixe ao Instituto Adolfo Lutz (SP) para investigar metais pesados e também aos Estados Unidos, a fim de pesquisar toxinas. Não há previsão para divulgação dos resultados.” O Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia e o da Fiocruz Rio de Janeiro analisam amostras de fezes dos pacientes.
VÍRUS

O virologista Gubio Soares, da Universidade Federal de Bahia, analisa amostras de fezes e urinas de casos suspeitos. “Há indícios fortes de que a causa possa ser parechovirus, cuja frequência no Brasil é baixa. Mas precisamos ainda confirmar isso, o que deve acontecer nos próximos dias. Já houve casos no Japão em 2008, 2010 e 2014, com relatos de dores musculares”, frisa Gubio.

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