domingo, 5 de fevereiro de 2017

A pena de morte das ruas do Rio de Janeiro

A cena antes de Patrick, no chão, ser executado. REPRODUÇÃO

El País - María Martín

Uns metros de fita, um punhado de gente que uiva, e um atirador. Embora não exista na letra fria da lei, a pena de morte foi aplicada na prática com Patrick Soares, de 20 anos. Patrick deveria, provavelmente, estar em prisão, mas um homem resolveu sentenciá-lo com seis tiros em plena rua nesta terça feira. Não foi em Filipinas, onde seu presidente promove o extermínio de narcotraficantes ou viciados. Foi em Duque de Caxias, a meia hora de carro do centro do Rio de Janeiro.

Patrick, um jovem moreno com brincos nas orelhas, saiu de uma festa às 7h da manhã da terça-feira. Estava acompanhado pelo seu irmão de criação, de 16 anos, e um amigo. Montados em duas motos, no caminho para casa, Patrick anuncia que pretende assaltar uma mulher e o amigo o acompanha dirigindo a motocicleta. O irmão disse que desistiu da empreitada, deu meia volta e foi embora. Em algum momento entre o anúncio do assalto e o crime realmente acontecer, moradores da região prenderam Patrick aos gritos de “pega ladrão”. Foi imobilizado da barriga para baixo com braços e pernas nas costas amarradas com fita.

Foi nesse momento que o irmão resolveu voltar e se deparou com a cena. Não teve muito tempo para reagir porque o grupo, a maioria homens, também o pegou, o arrastou pela rua e amarrou suas mãos alertando que não iriam soltá-los até a polícia chegar. Mas alguém, ainda não identificado, decidiu por todos antes de os agentes aparecerem.

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