quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dois Estados não é a única solução, diz Trump

Netanyahu e Trump
Foto: Pilar Oliveira/Agência Reuters

Agência Brasil e Folhapress

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou na quarta-feira (15) o compromisso tradicional dos Estados Unidos com uma solução de dois Estados para resolver o conflito no Oriente Médio entre israelenses e palestinos. Ao lado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o processo de paz no Oriente Médio pode incluir uma solução que não preveja um Estado palestino ao lado de Israel -uma mudança radical na posição de Washington, que defendia desde o governo Clinton os dois Estados.

Questionado sobre a solução de um Estado israelense e outro palestino, Trump disse que gosta da solução "que os dois lados gostem". "Estou olhando para uma [solução] de dois Estados, de um Estado, e eu gosto da opção que os dois lados gostem. Posso viver bem com qualquer uma delas", afirmou. "Primeiro pensei que a [solução] de dois Estados seria a mais simples para os dois lados, mas, honestamente, ("¦) se Israel e os palestinos estiverem felizes, eu estarei feliz com a solução que eles gostarem mais", afirmou.
Na véspera, um alto funcionário do governo disse a jornalistas, sob anonimato, que ninguém busca alcançar uma "solução de dois Estados que não traga a paz".
A nova posição do governo americano irritou o lado palestino. Saeb Erekat, o principal negociador palestino, chamou, inclusive, a visão de Trump de "apartheid". Para ele, se não houver dois Estados, a única alternativa é a criação de um Estado único para os dois povos, que seja "secular e com direitos iguais para cristãos, muçulmanos e judeus". A opção não é bem vista por muitos israelenses, que defendem Israel como Estado judeu.
Após a fala de Trump, o premiê respondeu às perguntas sobre a solução de dois Estados dizendo que prefere negociar sem colocar "rótulos" nas propostas. "Quero lidar com conteúdo", disse. Trump também afagou Netanyahu -que teve uma relação conflituosa com seu antecessor, Barack Obama- ao reafirmar sua intenção de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém, que é considerada pelos israelenses sua capital.

"Gostaria de ver isso ocorrer". A ideia é controversa, já que os palestinos também querem instalar ali a capital de seu eventual Estado. Mudar a embaixada para Jerusalém seria reconhecer a cidade como capital de Israel, algo que toda a comunidade internacional refuta.

Em frente às câmeras, Trump defendeu, contudo, que os dois lados façam concessões. No caso dos palestinos, disse que deverão retroceder "em seu ódio" aos israelenses se quiserem alcançar a paz. "Eles precisam se libertar do ódio que lhes é ensinado desde cedo. ("¦) Isso começa quando ainda são pequenos, dentro das escolas".

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