segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Programa Atitude tem reconhecimento internacional

A avaliação internacional sobre a iniciativa foi apresentada na última semanaFoto: Cepam/Divulgação
Renata Coutinho
Folha de Pernambuco

O programa Atitude, desenvolvido pelo Governo de Pernambuco desde 2011, foi reconhecido pela Open Society Foundations (OSF), fundação internacional que promove a Justiça e os Direitos Humanos, como uma das três mais exitosas experiências de políticas sobre drogas no Brasil. Além dele, as iniciativas Aproximação - A cena de drogas da R. Flavia Farnese, realizada pela ONG Redes da Maré, do Rio de Janeiro, e o Programa de Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo, foram citadas no relatório “Crack: Reduzir Danos - Lições Brasileiras de Saúde, Segurança e Cidadania”.

A avaliação internacional sobre os resultados do Atitude foi apresentada na última semana com a participação da coordenadora do Programa de Saúde Pública da Open Society Sarah Evans e da pesquisadora Liz Evans, que implantou programas de saúde para usuários no Canadá e é gestora de programas de redução de danos para usuários de drogas injetáveis em Nova York e Washington.

O diretor para América Latina da OSF, Pedro Abramovay, destacou que os três exemplos brasileiros reforçam que o caminho para solucionar os dramas da dependência química, principalmente do crack, não está numa abordagem repressiva, mas na ação acolhedora.

“Achar que é possível resolver o problema de drogas, sobretudo em uma cena de uso pública, nas ruas, com pessoas muito vulneráveis, pessoas em situação de rua, com polícia não funciona. O relatório mostra três experiências muito diferentes, mas todas elas partindo dessa premissa. Partindo da ideia que é possível acolher e tratar esses usuários a partir da inclusão e não a partir da repressão, com resultados muito positivos”, afirmou.

O pesquisador da Fiocruz PE e colaborador do estudo da OSF, Rafael West, endossou que as evidências científicas reforçam que a abordagem de acolhimento de saúde, moradia, assistência social e trabalho são muitos mais eficazes na política sobre drogas. “O usuário não é um criminoso. É preciso olhar para ele como um sujeito que precisa de cuidados. E, muitas vezes, ir além do crack e olhar para a história das pessoas. Às vezes, é uma história de tanta desigualdade social, pobreza e negligencia”, comentou West.

O coordenador técnico de gestão da Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas do Estado, Arturo Escobar, apontou que a diferença do projeto pernambucano está na multidisciplinaridade dos cuidados. “Não é um programa de tratamento. Há uma diferença. Há o cuidar do usuário dentro das suas necessidades básicas, como oferecer alimento, uma necessidade de asseio, de descanso, uma possibilidade de conversa com um psicólogo que pode intervir junto a família, coisas que são necessárias para garantir a cidadania”, apontou.

O estudo realizado no Atitude fez a análise de quatro bancos de dados de abrigos do programa em quatro municípios, reunindo informações sobre um total de 5.714 indivíduos atendidos. Foram realizadas 30 entrevistas e três grupos focais com participantes, familiares e equipes.

Outros 191 questionários foram aplicados com os participantes. Apesar do balanço positivo, a OSF fez recomendações de melhorias no Atitude como o aumento do número e da capacidade de atendimento nas unidades de acolhimento, ampliação da coordenação intrarede de serviços de cuidados, monitoramento de usuários que passaram pelo programa e abertura de mais unidades no Interior.

Hoje, os centros de acolhimento estão apenas no Recife, Cabo, Jaboatão, Caruaru e Floresta. Cada um dos centros oferta serviços de Centro de Atendimento e Apoio, Acolhimento Intensivo, Atitude nas Ruas e Aluguel Social.

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