quinta-feira, 16 de março de 2017

Concursados das polícias civil e científica vão entrar com petição no MPPE

Diário de Pernambuco

Depois de se concentrarem em frente à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), onde representantes da SDS, da Secretaria de Administração de Pernambuco e da Procuradoria Geral do Estado com o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção de Promoção de Eventos (Cebraspe) discutiram a recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) de anular a prova psicotécnica do concurso para as polícias civil e científica de Pernambuco, os aprovados no certame seguiram para o Ministério Público. O grupo pretende entrar com uma petição contra a medida. A reunião na SDS foi encerrada sem qualquer declaração à imprensa. A pasta adiantou apenas que irá se pronunciar por meio de nota oficial.

Aprovado no concurso da Polícia Civil no cargo de perito criminal, Rafael da Matta, de 24 anos, veio de Alagoas para acompanhar a reunião e teme que todo processo seja refeito. "Eu espero muito que seja resolvido porque aposto todas as fichas nesse concurso que eu venho estudando há dois anos. Já passamos por todas as etapas, fizemos prova escrita, teste físico, então todos os meses eu tive que me deslocar, gastar passagem, transporte, hospedagem e cheguei a investir mais de R$ 7 mil. O prejuízo vai ser muito maior para quem está desempregado e tinha esperanças de assumir o cargo esse ano", reclama.

Após o Ministério Público de Pernambuco pedir a anulação da avaliação psicológica aplicada no concurso das polícias Civil e Científica, a Secretaria de Defesa Social informou, no dia 13 deste mês, que fará novos exames para preencher as 966 vagas disponíveis. O MPPE apontou irregularidades no exame psicotécnico, incluindo cartões de questões já preenchidos durante a realização da prova. Todos os candidatos aprovados nos testes de conhecimento e aptidão física participaram da avaliação psicológica em 23 de outubro de 2016. A nova data ainda será definida.

Ao todo, deverão refazer o exame 2.556 candidatos, sendo 1.809 para a Polícia Civil e 747 para a Polícia Científica. O concurso deverá suprir vagas e formar cadastro de reserva nos cargos de agente, delegado e escrivão de polícia do Grupo Ocupacional Policial Civil, além do provimento de vagas e cadastro de reserva nos cargos de auxiliar de legista, auxiliar de perito, perito papiloscopista, médico legista e perito criminal do Grupo Ocupacional Policial Científico.

Denúncias
A recomendação do MPPE partiu da 25ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital e foi publicada no Diário Oficial de Pernambuco em 3 de março, sob responsabilidade da promotora Andréa Fernandes Nunes Padilha. O documento foi embasado nas denúncias feitas por candidatos sobre irregularidades durante a realização da prova.

Informações sobre cadernos de exames já rasurados, na sala de avaliações, motivaram a instauração de um inquérito civil. Nas considerações contidas na recomendação, foi informado que o Cebraspe se manifestou em ofício sobre o ocorrido. De acordo com o Ministério Público, a instituição admitiu que foram encontrados problemas em seis das 76 salas onde a avaliação psicológica aconteceu. Em cada uma dessas salas, foram verificados pelo menos cinco cadernos de provas riscados, marcados ou rasurados.

“Só o fato deste contingente de candidatos ter tido acesso às anotações no caderno de questões já afeta a isonomia entre os concorrentes, uma vez que é impossível determinar quantas e quais pessoas foram beneficiadas no decorrer da prova com o acesso a tais informações”, justificou a promotora Andréa Nunes.

“Ainda há de se considerar que tal número de incidentes diz respeito apenas às salas onde tal fato foi registrado em ata, havendo relato nesses autos de que o fato se repetiu em diversas outras salas, onde não chegou a ser registrado em ata, atingindo um número indiscriminado de candidatos”, avaliou a promotora.

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