quinta-feira, 1 de junho de 2017

PE: ONG denuncia negligência no atendimento de soropositivos

Hospital Otávio de Freitas (HOF)Foto: Miva Filho/SES/Divulgação

Amanda Duarte
FolhaPE

A ONG Gestos, que atua na defesa dos direitos de pessoas portadoras de HIV, protocolou denúncia formal no Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) solicitando intervenções para sanar o problema de falta de medicamentos para soropositivos. O estopim para a ação foi a confirmação da morte de um portador de HIV na terça-feira (30) no Hospital Otávio de Freitas, Zona Oeste do Recife. Essa foi a segunda morte, em menos de três semanas, de pessoas acompanhadas pela ONG.

"Vamos protocolar formalmente o desabastecimento de medicamentos e falta de leito do Hospital não só junto ao MP, mas também na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e no Conselho de Saúde do Estado", assegura Kariana Guérios, advogada da Gestos. "Desde 2014 denunciamos a falta de medicamentos e essa negligência causa a morte de muitas pessoas. Queremos que providências sejam tomadas". Os soropositivos precisam de medicamentos para infecções oportunistas, além dos antirretrovirais.

A Gestos registrou a morte de um soropositivo na terça-feira (30) após 20 dias de internação no Hospital Otávio de Freitas. Segundo a ONG, o paciente começou a se sentir mal no início do mês, quando procurou o Hospital Correia Picanço, Zona Norte do Recife, onde já era atendido, mas, por falta de leitos, não foi internado. Dez dias depois, numa segunda tentativa, o homem foi encaminhado ao Otávio de Freitas. 

A ONG denuncia que, nessa última unidade de saúde, o paciente ficou deitado numa maca rente ao chão, ao lado da entrada de um banheiro, com o prontuário embaixo do colchão. As medicações também não teriam sido ministradas nos intervalos corretos e, segundo a ONG, as visitas médicas não tinham horário ou dia para acontecer. A Gestos prefere preservar o nome e a idade do paciente.

A segunda morte foi confirmada pela Gestos no último dia 10 de maio. A ONG diz que, após tentar atendimento em um posto de saúde, sem sucesso, a família do doente recorreu à UPA de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes. Lá, ele tomou soro e foi encaminhado de volta para casa. A Gestos denuncia que o doente só teve atendimento após a intervenção da ONG, que conseguiu que ele fosse encaminhado para o Hospital Correia Picanço. Na unidade, ele ficou internado na UTI, onde morreu 10 dias depois.

Em nota encaminhada ao portal FolhaPE, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) se solidarizou com a família dos pacientes e informou que eles tiveram acompanhamento das equipes multidisciplinares do Hospital Correia Picanço e do Otávio de Freitas, "com realização de exames e medicação de ponta". A Secretaria ressaltou que trabalha na descentralização do atendimento aos usuários que vivem com o HIV/Aids em Pernambuco, bem como na conscientização de profissionais de saúde de serviços estaduais e municipais em relação ao acolhimento dos pacientes.

Sobre o paciente que morreu nessa terça no Hospital Otávio de Freitas, a secretaria afirma que, apesar de ter sido encaminhado para a sala vermelha duas vezes – setor destinados a quadros mais graves -, ele não resistiu após apresentar novas complicações. O órgão informa, no entanto, que o soropositivo foi medicado, acompanhado por clínicos, pneumologistas e cirurgião e passou por vários exames, inclusive duas tomografias.

Já sobre a morte no início de maio, a SES informa que o paciente foi internado em um leito de enfermaria no mesmo dia em que deu entrada na emergência do serviço, 28 de abril. Segundo a secretaria, ele foi transferido para a UTI do hospital no dia 5 de maio, mas não resistiu à gravidade do quadro e faleceu 5 dias depois.

Falta de medicamentos
Sobre a falta de medicamentos antirretrovirais, a SES relata que implantou uma coordenação para atuar especificamente na distribuição desses insumos e remanejar recursos humanos. Essas adequações, de acordo com a secretaria, permitem a otimização da entrega e do abastecimento de 37 serviços de assistência especializadas e mais de 50 maternidades, que fazem a distribuição dos medicamentos antirretrovirais.

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