terça-feira, 27 de junho de 2017

Projeto estimula leitura de obras escritas por mulheres em escola

Projeto ajuda a promover o empoderamento feminino dentro das escolas
Foto: Divulgação

JC Online

E se, além de desenvolver o gosto pela leitura, os livros pudessem promover o empoderamento feminino? Foi da constatação de que os alunos leem poucas obras escritas por mulheres nas instituições de ensino que a professora Suelen Vanderley, da Escola Cônego Rochael de Medeiros, no Centro do Recife, criou o projeto A Letra Delas, incubado na plataforma SomosProfessores.org. Para sair do papel e beneficiar 150 estudantes, a iniciativa precisa arrecadar R$ 1.997,93 em 57 dias. Até a tarde dessa segunda-feira (26), apenas R$ 711 haviam sido doados.
Três turmas – do 6º, 7º e 8º anos do ensino fundamental – serão atendidas. O objetivo é adquirir 60 livros (10 de cada um dos seis títulos escolhidos) de autoria de grandes nomes, como Agatha Christie e Clarice Lispector. “Já levei textos das duas escritoras para leitura em sala de aula e os alunos adoraram”, conta a professora de português.

Para Suelen, a literatura escrita por mulheres é pouco valorizada e a iniciativa é uma forma de combater o sexismo. “Existem as grandes autoras mas, em geral, os livros escritos por homens são os mais vendidos. Pesquisei e descobri que há um projeto americano semelhante, que estimula o uso de uma hashtag ‘leia mulheres’ nas redes sociais. Foi aí que tive a ideia de criar A Letra Delas. Vamos mostrar a eles desde cedo que as mulheres também podem ser escritoras de sucesso.”

As obras literárias já viram rotina na vida dos estudantes: todas as sextas-feiras eles têm aulas na biblioteca da instituição e realizam leituras em conjunto. “Nesses momentos consigo identificar problemas individuais. Muitas vezes, os alunos são empurrados de uma série para outra sem saber ler. Esses livros serão de grande ajuda também nesse sentido”, defende Suelen.


ONG

Esta é a primeira vez que a professora utiliza a plataforma, criada em 2015 para dar vida a projetos de educadores da rede pública. “Normalmente, trabalhamos com iniciativas ligadas a assuntos das grades curriculares. Neste caso, trata-se de uma professora que quer ir além, ao tratar da igualdade de gênero. Essa é uma demanda social que extrapola os muros das instituições de ensino e convida os alunos a reflexões”, defende Luiza Dantas, diretora-executiva da ONG.

Para ajudar, basta acessar o site somosprofessores.org e clicar no projeto. As doações podem ser feitas no cartão de crédito, boleto ou transferência bancária. Os livros serão adquiridos pela ONG e entregues diretamente à instituição de ensino. Desde sua criação, a plataforma recebeu 26 projetos de professores de escolas públicas de Pernambuco. Desses, 24 conseguiram financiamento e dois continuam abertos para doações de voluntários.

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